Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
Editorial

Vitória da humanidade


explosao-nuclear-tsar-bomba_29C0AE46-5FC4-4EB5-886D-3698C20D8D7C.jpg
26/10/2020 às 06:26

Desde os primórdios da humanidade, grupos tentam estabelecer relação de dominação sobre outros por meio de recursos bélicos. Trata-se de uma constante ao longo da história. A engenharia bélica tem sido um dos aspectos decisivos na configuração geopolítica do planeta desde que os homens surgiram sobre a Terra. As armas de madeira e pedras evoluíram para canhões e armas de fogo até chegar ao ápice dos artefatos destrutivos: as bombas nucleares. O poder do átomo foi descoberto pelo físico alemão Albert Enistein, quando elaborou sua famosa fórmula E=mc2, base para a liberação de energia a partir da fissão nuclear. Einstein não participou diretamente do projeto que desenvolveu as primeiras bombas atômicas, mas lamentou a destruição e mortes que elas causaram no desfecho da Segunda Guerra Mundial e seu uso político a partir de então.

O dilema das bombas nucleares permanece. Ganhou contornos dramáticos da década de 1950 à década de 1980 no contexto da guerra fria. Nesse período, os armamentos foram aprimorados. Durante os anos 60, várias bombas foram detonadas por Estados Unidos e Rússia a título de testes, mas também para que uma potência exibisse à outra seu poder destrutivo. Atualmente, a Federação de Cientistas Americanos estima que existem mais de 17 mil ogivas nucleares no mundo, sendo que 4,3 mil delas são consideradas “operacionais”, ou seja, estão prontas para uso. A detonação de uma pequena parcela delas seria suficiente para acabar com a vida na Terra. São milhares de ameaças permanentes. 

Por esse motivo, em julho de 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, que proíbe o uso, desenvolvimento, produção, testes, estacionamento, armazenamento e ameaça do uso desse tipo de arsenal. Ontem, o país número 50 – Honduras – aderiu ao tratado, permitindo que ele entre em vigor no prazo de 90 dias. O fato é histórico e um passo decisivo rumo a um mundo livre de armas nucleares.

Infelizmente, as principais potências nucleares, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, não assinaram o documento. Mas a adesão de tantas nações dá um recado relevante que não pode ser ignorado por um país do porte do Brasil.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.