Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
Editorial

União contra o desmatamento


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08/07/2020 às 08:21

A alta nos números do desmatamento em 2020 indica a próxima crise a se abater sobre o País, com incêndios florestais ainda mais escandalosos que os registrados no ano passado, quando o Brasil foi duramente criticado na comunidade internacional pela ausência de política ambiental. Porém, diferente do que se viu no ano passado, deve ser mais prudente neste ano devido a uma série de fatores. O aparente abandono de discursos radicais por parte do presidente, abrindo espaço para uma postura mais técnica e menos errática, é uma sinalização positiva diante das pressões. No que diz respeito à questão ambiental, a pressão mais recente parte do setor empresarial. Em carta ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, 36 grandes empresas e quatro organizações empresariais pedem “combate inflexível e abrangente” ao desmatamento ilegal na Amazônia. 

Não se trata de “xiitas ambientais”, ONGs ou ativistas. São empresários – preocupados com o ambiente, é claro, mas muito mais angustiados com os possíveis impactos que a piora da imagem do País no exterior pode ter em seus empreendimentos. O agronegócio é um dos setores mais preocupados.  Ninguém quer ter sua marca e seu produto relacionados a práticas ao descaso com o meio ambiente. O sentimento de responsabilidade ambiental cresce em todo o mundo e o boicote deixou de ser apenas um risco e se transformou em realidade quando fundos internacionais anunciaram que não investiriam mais no Brasil. O governo já reconhece que a imagem do País não está boa, mas parece ainda não ter se dado conta que a única forma de reverter essa percepção é com a efetiva redução nos índices de desmatamento e de queimadas. Já pode ser tarde demais para obter progressos neste ano; o desmatamento já aconteceu, e as queimadas são a próxima etapa. 

Com os olhos do mundo voltados para o Brasil, não adiantará culpar  as ONGs, muito menos invocar a defesa da soberania. É preciso adotar ações concretas, com mudança profunda de postura, principalmente no Ministério do Meio Ambiente. Da mesma forma, apostar em publicidade para melhorar a imagem só funcionará se houver base em ações reais e efetivas. Os empresários já perceberam que não há divergência entre produzir e preservar. O desafio é convencer o governo federal sobre isso.
 


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