Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Produção em queda


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15/05/2020 às 08:41

A expressiva queda na produção industrial registrada em março pelo IBGE, que no Amazonas ficou em -11%, já era esperada pelo empresariado local, que também têm plena consciência que o tombo em abril e maio será bem maior. O resultado se deve ao fato de que muitas empresas estão fechadas, e não por decreto governamental, mas por opção própria diante do risco a seus colaboradores em face da pandemia do novo coronavírus. Elas podem funcionar desde que adotem medidas específicas de segurança. Existe a vontade de produzir, até porque não é possível manter as máquinas paradas por muito tempo, mas parte das lideranças empresariais sabe que operar a pleno vapor imediatamente é arriscado demais.

Nos demais setores, há uma forte pressão pela flexibilização das restrições, o que é desaconselhável. Uma equação difícil de ser resolvida pelo ineditismo da situação. Mas uma coisa é certa: não será com radicalismo que se chegará a um bom termo. A quarentena paralisa a economia e terá consequências na produção, na arrecadação e nos empregos. Mas o fim abrupto das medidas de distanciamento social resultaria no agravamento imediato de um cenário que já é atroz, com mais de mil mortos no Estado. Quando se criticam as medidas de isolamento, não se pode propor a volta à “normalidade”, é preciso apresentar alternativas que resguardem a saúde das pessoas e, ao mesmo tempo,  viabilizem a atividade econômica. O consenso atual é que essa retomada não pode ocorrer no pico da pandemia, pois seria uma atitude esdrúxula que custaria mais vidas.

O governo do Estado acerta quando prorroga o período de portas fechadas para áreas não essenciais, inclusive com fixação de multas. A retomada vai ocorrer, mas apenas quando for seguro para todos. Enquanto isso, é essencial que haja providências de socorro aos empresários que estão impedidos de trabalhar. As linhas de crédito mencionadas pelo governo federal no início da crise ainda não foram operacionalizadas, obrigando muitos empreendedores a encerrar seus negócios diante da falta de perspectiva. 

A solução não sairá magicamente da cabeça de uma pessoa iluminada. O primeiro passo – e que ainda não foi dado pela atitude de confronto adotada pelo Planalto – é o diálogo sóbrio entre as esferas de poder, que precisam agir de forma articulada.


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