Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
Editorial

Preços elevados em tempos de crise aguda


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22/10/2020 às 06:59

Os indicadores de elevação do preço da cesta básica em Manaus comprovam o que a mídia denuncia há meses: segmentos empresariais aproveitam a desestabilização produzida pela Covid-19 para extorquir consumidores. Em média, o aumento no preço de produtos da cesta básica é de 70% e, em determinados itens ultrapassa o porcentual de 90%, como é o caso de produtos de higiene pessoal e de limpeza.

A questão torna-se mais difícil quando se soma à essa alta outros itens de serviços essenciais à população como o preço do gás de cozinha, da energia elétrica, da água e dos medicamentos. O que se tem é o estouro total de qualquer planejamento familiar, principalmente em cenários como o atual com exército de desempregados, multidões em trabalhos subalternos e na informalidade e, em muitos casos, com pessoas doentes em casa, em inatividade ou mesmo perdas familiares.

É em situação de vulnerabilidade socioeconômica que os governos federal, estadual e municipal têm obrigação redobrada de perceber e agir para reduzir a aflição dos setores mais vulneráveis. O que se revela a cada dia aponta para a dificuldade e ou a não prioridade governamental para essa ação. De modo mais geral, as iniciativas governamentais visam atender demandas de grupos mais restritos vinculados com a prática do arrocho sobre a população brasileira. Grandes corporações bancárias, farmacêuticas, de drogarias, postos de gasolina, produtores de soja ostentam lucros diante do aprofundamento da pobreza e da presença cada vez maior da fome nos lares brasileiros, da expressiva presença de pessoas nas avenidas e praças das metrópoles na condição de pedintes, de abandono.

Há letargia do por parte do Congresso Nacional e do Poder Legislativo como um todo na tomada de iniciativas que contemplem o Brasil amplo. A maioria dos parlamentares demonstra agir em torno dos seus interesses mais particulares, da tática de agradar ou não o presidente da República e a sua equipe mais restrita possivelmente na tentativa de proteger, da pior maneira, os seus mandatos e a renovação dos mesmos nas eleições de 2022. Outros estão nos espaços municipais fazendo promessas em busca de votos que os levem a conquistar a prefeitura ou a vaga na câmara municipal. Enquanto isso, eleitores e milhões de brasileiros sofrem com o desmando e a falta de controle.


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