Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Editorial

Política ambiental destrutiva


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25/05/2020 às 08:05

É inacreditável que em plenos século 21 ainda haja dúvidas a respeito da manutenção das florestas preservadas. Especialmente quando a floresta em questão é a Amazônica. Parece que não era possível, mas as preocupações quanto à  floresta aumentaram em todo o mundo depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial do governo brasileiro realizada em 22 de abril. São vários os aspectos que se sobressaem da aludida reunião. A questão ambiental é apenas um deles.

Com a divulgação do vídeo do encosto, o mundo todo viu o ministro do meio ambiente, Ricardo Sales, argumentando que o governo deveria "aproveitar a pandemia para passar a boiada", referindo-se, entre outras coisas, a mudanças nas leis que dificultam a exploração desenfreada dos recursos naturais da região amazônica.

Deveria ser suficientemente espantoso o fato de a sugestão ter sido dada pelo próprio ministro do meio ambiente, mas o fato ganha contornos ainda mais dramáticos diante das notícias mais recentes quanto ao desmatamento na região norte. A pandemia foi vista como uma grande  oportunidade por muitos, inclusive por aqueles que têm na devastação da floresta um modo de vida.

É inaceitável que o ministro do meio ambiente seja a pessoa que verbaliza o interesse daqueles que intentam a destruição da floresta, sob o argumento de que a pandemia cria um momento "favorável" em face de uma suposta pouca atenção por parte da imprensa. Uma chance para "passar a boiada" sem as críticas dos meios de comunicação.

E esse é apenas um dos tantos aspectos deploráveis que se depreendem da aludida reunião, mas que ganha um destaque especial diante do fato que os índices de desmatamento atingem níveis históricos neste ano, muito em função da pandemia e do afrouxamento da fiscalização por parte dos órgãos ambientais do Brasil, um país onde gestores são demitidos se adotarem medidas de contenção a ilegalidades ambientais.Infelizmente, tudo indica que, em meio à tragédia causada pala pandemia do novo coronavírus, veremos também outra tragédia proporcionada pelas queimadas na Amazônia neste ano. A situação que chocou o mundo inteiro no ano passado deve ser muito pior neste ano.

É nesse contexto que o ministro do meio ambiente planeja flexibilizar a legislação ambiental, favorecendo "negócios" em detrimento da natureza, ignorando povos indígenas e populações tradicionais da Amazônia. O despreparo e falta de compromisso com a região atinge níveis inéditos. O Brasil precisa reagir.


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