Terça-feira, 02 de Março de 2021
Editorial

Polêmica do Enem


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14/01/2021 às 06:46

A indefinição que se instalou a respeito da aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma das demonstrações de que o bom senso parece estar em extinção no Brasil. Com mais de mil óbitos por dia em decorrência da covid-19, hospitais lotados, falta de insumos médicos e incertezas sobre o início da vacinação, o País caminha para o auge da segunda onda da pandemia, que dá sinais de ser pior que a primeira. Todas as projeções, infelizmente, indicam que o cenário ainda vai piorar nas próximas semanas antes de começar a melhorar. É nessas condições que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC) - pretende realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 17 e 24 de janeiro.

A atitude do Inep/MEC beira o incompreensível. No momento em que o País luta contra a pior crise sanitária de sua história, quando a prioridade máxima do governo em todas as suas esferas deveria ser a preservação da saúde das pessoas, a direção do Inep age – até agora com aval da Justiça – como se tudo estivesse sob controle.

A queda de braço com estudantes, prefeituras e governos estaduais continua. Ontem, a Justiça federal de São Paulo negou mais um pedido de adiamento das provas, e o Inep adotou uma posição mais flexível. A situação atual é que as datas para aplicação das provas estão mantidas para janeiro, mas nas cidades onde as autoridades sanitárias decidirem pela não aplicação por causa da pandemia – caso de Manaus – as provas serão realizadas em outras datas, inicialmente em 23 e 24 de fevereiro.

A direção do Inep mostra precisão muito maior que o Ministério da Saúde quando o assunto é definição de datas. Mas o otimismo do instituto chega a ser surreal. Será excelente se daqui a pouco mais de um mês, a pandemia estiver controlada em todo o Brasil e os estudantes possam fazer as provas sem correr risco de contágio. Porém, as projeções de secretarias de saúde indicam um cenário bem diferente. Em Manaus, as instituições são unânimes. Governo do Estado, Prefeitura de Manaus, Ministério Público e outras instituições concordam que não há a menor condição de se realizar as provas com segurança. As negociações continuam. Esperamos que o bom senso prevaleça.


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