Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
Editorial

Planos ameaçam ainda mais a Amazônia


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20/10/2020 às 00:32

O Governo Federal tem planos conflitantes para desenvolver a Amazônia e os mantém em vigor estabelecendo datas para a tomada de posição. A despeito das orientações contidas na base de formação do Conselho Nacional da Amazônia (CNA), o que está andando no âmbito federal é a vontade política governamental em abrir portas da região e transforma-la em base para negócios que implicarão em muitos confrontos e mortes.

A mineração, tratada pela lógica ora apresentada, de caráter unilateral, sem a devida audiência ao tema, é um dos interesses governamentais na Amazônia, com sinalização de leilões em curto prazo para esse fim. A esta, somam-se outras iniciativas em curso tais quais a abertura de áreas destinadas aos jogos de azar no Amazonas, como alternativa turística e econômica, numa prática que tem se constituído em espaço aberto a outros ilícitos e a prostituição e exploração sexual de meninas e meninos. O avanço do agronegócio tendo a soja como carro-chefe da expansão da atividade a partir do Sul do Amazonas, e ampliar o comércio de madeira.

O pacote pretendido para a Amazônia é recebido com aplausos efusivos de determinados segmentos empresariais cujo histórico de atuação é fundamentalmente a obtenção do lucro. Um tipo de modalidade empresarial que, na maioria dos países mais desenvolvidos não é mais autorizada e tem sido banida, nesse caso, os ‘investidores’ se deslocam para os países que não têm compromisso com outra plataforma de desenvolvimento, possuem riquezas naturais e esse tipo de ação e recepcionada como oportunidade de desenvolver.

O Brasil, até bem pouco tempo, viveu essa realidade. Foi usado por décadas como quintal de iniciativas que deixaram a destruição e os problemas graves como saldo. Por iniciativas da sociedade, de pesquisadores e instituições cientificas e tecnológicas, movimentos sociais fortes, o País gradativamente avançou em protocolos socioambientais e inaugurou outra conduta nas relações internacionais, protagonizou bons acordos e garantiu incentivos financeiros a projetos que estavam amarrados em critérios de respeito às culturas tradicionais, ao respeito ao meio ambiente. A imagem e a experiência amarga com Serra Pelada, para se ficar em um dos projetos de destruição, ainda não foram socialmente superadas. Os órfãos e as vítimas desse arranjo desumano permanecem pedindo justiça, ao mesmo tempo, os planos do atual governo retorcem e apostam em algo muito semelhante ignorando a vocação amazônica.
 
 


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