Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Na balança, doença e morte valem menos


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16/05/2020 às 21:05

O cabo de guerra entre a Presidência da República, governadores e prefeitos deverá ser agudizado nos próximos dias. Estrategicamente provocado pelo governo Bolsonaro, o movimento de retomada das atividades mina o ambiente local, as cidades onde diferentes formas de pressão stão acontecendo.

Da parte do governo federal está a clara a posição de reabrir tudo, como afirmou o presidente brasileiro, durante encontro com representantes de segmentos empresariais, na quinta-feira. A saída do ministro Nelson Teich, na sexta-feira, é mais um indicativo de que o plano de reabertura já segue e ganha reforço. 

Teich, segundo ministro da Saúde a deixar o governo por não seguir a orientação do presidente na gestão da pandemia, não ficou um mês no cargo. Ele tomou posse dia 17 em substituição a Luiz Henrique Mandetta, e, nas duas últimas, passou a ser "fritado" até à cena pública de constrangimento quando em meio a uma coletiva foi surpreendido pela medida assinada por Bolsonaro que autorizava a reabertura de academias, salões de beleza, considerados atividades essenciais. 

A falta de interlocução do governo federal com os governos estaduais e municipais é tão grave quanto a pandemia. Em nível federal, o governo quer a retomada da economia, o que é uma necessidade para o País não mergulhar em crise profunda. Entretanto, o mesmo governo não discute um plano coerente e justo nessa reabertura, fala do isolamento vertical sem dizer como funcionaria e demonstra que a retomada das atividades econômicas de qualquer maneira é o que precisa acontecer.

Nas cidades, onde o caos se apresenta concretamente, a pressão popular sobre prefeitos e governadores cresce a cada dia e testa a capacidade de eles gerirem uma crise dentro da crise. Esses gestores são distantes da viisão do governo federal que, aparentemente, não quer debater outros possíveis problemas.

Na maiores dos países da Europa e nos EUA várias estratégias estão sendo utilizadas na reabertura, sem desconsiderar os cenáriios apresentados por autoridades médico-sanitárias que, no Brasil, são confrontadas desqualificadas pelo governo Bolsonaro.

Nas contas do governo federal, a falta de leitos, a contaminação e as mortes de milhares de brasileiros têm peso menor. E do lado de fora, nos municípios, estão desempregados, pessoas passando fome. São necessidades utilizadas pelos estrategistas do presidente da Repúublica para executar o plano de reabertura já.

Foto: Reprodução


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