Terça-feira, 02 de Março de 2021
Editorial

Guerra por vacinação apenas começou


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20/01/2021 às 06:59

A batalha pela imunização contra covid 19 no Brasil está apenas começando. E um dos principais obstáculos é a própria oferta de vacina no mercado. O Brasil demorou demais para "correr" atrás de imunizantes no mercado internacional. Os fabricantes já fecharam grandes contratos com diversos países, colocando o Brasil no fim da fila. A segunda onda da pandemia transformou as vacinas em artigo extremamente disputado no mercado. As doses já disponíveis no País são suficientes apenas para dar o pontapé inicial na campanha de imunização.

Precisamos urgentemente de dezenas de milhões de doses. Nossa vantagem é ter uma vacina que pode ser produzida em nosso próprio território, a CoronaVac - apesar de toda a politização em torno dela. O governo federal, que embora muito contrariado tenta assumir algum protagonismo no que diz respeito à vacinação, encontra-se diante de um dilema: é preciso negociar com a China a liberação de insumos para viabilizar a produção nacional. O problema é que a relação entre os países tem sido marcada por ataques do chanceler brasileiro, dos familiares do presidente e dele próprio em episódios recentes e constrangedores.  Mais do que nunca, o governo precisa desempenhar um papel que até agora não conseguiu: fazer diplomacia de verdade. É visível o desgaste na imagem do governo após a disputa na "guerra das vacinas", um estrago que ficará pior se as negociações por mais imunizantes junto ao mercado internacional não lograrem êxito rapidamente. Diante da hesitação do Planalto, de novo, outras autoridades chamam para si a responsabilidade, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que vem tentando interceder junto ao governo chinês.

Enquanto isso, brasileiros continuam morrendo às centenas todos os dias, vitimados pela pandemia, tendo o Amazonas como epicentro da segunda onda. O Estado agoniza com hospitais lotados, famílias em desespero, e sistema de saúde em colapso. Ontem, tivemos o primeiro sinal de que a tragédia em Manaus é o prenúncio do que pode acontecer em todo o País se a condução da crise continuar como está: uma família inteira morreu por falta de oxigênio no hospital de um município paraense. O imbróglio das vacinas tem que ser resolvido o mais rápido possível para que a vacinação continue a toque de caixa em todo o País.

Apenas com a imunização da população será possível pensar em superação da crise sanitária, retomada do crescimento econômico e  dos empregos. As disputas políticas, os arroubos ideológicos precisam ficar para trás. O foco total do governo e dos Estados deve ser a vacinação.


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