Segunda-feira, 19 de Abril de 2021
Editorial

Empobrecimento


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01/03/2021 às 08:57

A notícia de que o Amazonas tem uma das menores rendas percapta do País não causa nenhuma surpresa. Historicamente baixa em relação aos demais Estados, a renda média dos amazonenses sofreu ainda vem sofrendo forte impacto da pandemia de covid19, o que se deve ao esfriamento da economia em praticamente todos os setores, com muitas empresas fechando as portas, aumento do desemprego.

Mas bem antes da crise sanitária mundial, transformações na indústria já apontavam tendência de menor emprego de mão de obra em face da robotização. Essa realidade precisa ser compreendida e enfrentada sob pena de vivenciarmos um processo de empobrecimento acentuado da população neste ano e nos próximos. Contra tal cenário, paralelamente ao avanço da vacinação e liberação gradual e criteriosa das atividades econômicas, é fundamental o desenvolvimento de ações para estimular a economia, sobretudo os pequenos negócios, que são exatamente os que mais empregam.

Os números do Caged revelam que setores como serviços e comércio estão entre os mais afetados. Areabertura gradual deve promover a recuperação desses setores, mas será preciso muito mais para assegurar uma retomada sólida nos anos que virão. Os dados revelados pelo IBGE atestam a necessidade de o Amazonas diversificar sua economia de modo a depender menos da Zona Franca de Manaus. Não resta dúvida que o fraco avanço da renda percapta do Estado tem relação com as transformações pelas quais o modelo de desenvolvimento local vem passando nos últimos anos, com aumento da automação em detrimento da mão de obra humana.

A tendência é que a indústria empregue cada vez menos pessoas, um processo que será acentuado no pós-pandemia. As empresas precisam ser mais produtivas com menos pessoas nas linhas. O Amazonas precisa se ajustar a isso, gerando empregos em outras frentes. As lideranças políticas e empresariais do Estado precisam ter clareza para mudar o foco de suas atuações. Ao mesmo tempo em que precisam defender as características do modelo para evitar seu enfraquecimento, também é fundamental apoiar outros setores cujos potenciais são bem conhecidos há bastante tempo. É o caso da fruticultura, do turismo e da piscicultura.

Mas esses segmentos precisam ser pensados estrategicamente, e não apena como discurso político como tem sido até agora.


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