Sábado, 23 de Janeiro de 2021
Editorial

É preciso tomar decisões


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23/11/2020 às 06:39

O combate ao racismo no Brasil exige que as autoridades obedeçam a Constituição do País. O governo federal, os governos estaduais e municipais devem levar a sério a adoção de medidas para enfrentar práticas racistas que permanecem em vigor nas instituições, em empresas e grupos que atuam em vários segmentos.

Nos supermercados, os casos de racismo se repetem com frequência, a diferença é que não são consumadas as mortes como a de João Alberto no dia 19, morto por espancamento. O que se viu em seguida foram declarações de autoridades governamentais e do parlamento que não só confirmam racismo estrutural como também incentivam as atividades racistas.

A condição a que são submetidas pessoas negras e indígenas no Brasil não permite mais a impunidade e muito menos que representantes dos poderes públicos se comportem entre o silêncio e gestos de apoio a condutas discriminatórias e racistas. Este é um momento em que, o governo federal deveria está anunciando medidas para reforçar a observância da legislação por todos os segmentos pessoas e empresas, e governos estaduais e dos municípios – onde se concretizam os atos racistas – igualmente são convocados a se mobilizarem e se pronunciarem revendo procedimentos, fortalecendo os que existem e inaugurando novos espaços de promoção do respeito às pessoas.

O silêncio oficial é um dado de como a política racista se movimenta e faz vítimas. Quando quebrado, como no assassinato de João Alberto, em Porto Alegre, autoridades o fazem para ignorar e ou minimizar o que houve.  Os movimentos que estão nas ruas de várias cidades do Brasil cumprem função necessária para a denúncia seguir adiante, como instância de pressão a fim de que os governos, o parlamento e o judiciário atuem efetivamente, e na promoção da lembrança que reivindica justiça.

Diante da exacerbação racista no país, a presença na rua dos coletivos antirracistas torna-se a resposta. É longo o tempo de vigência de uma conduta de desrespeito aos direitos humanos dos negros, dos indígenas, dos quilombolas no Brasil. O que se verifica na atualidade é o desprezo por uma postura político-governamental que fortaleça o instrumento legal e iniba o culto ao racismo. A fragilidade com que o governo lida com esse tema leva a um entendimento de frouxidão e de que os atos racistas podem continuar ocorrendo sem o incômodo da lei. Basta de racismo.

 


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