Domingo, 27 de Setembro de 2020
Editorial

Dor de cabeça no Centro de Manaus


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31/07/2020 às 08:24

Com a reativação gradual do comércio no Centro de Manaus, a capital vive a iminência de ver reativado o sistema Zona Azul, em que condutores precisam pagar para estacionar seus veículos em determinadas ruas do Centro e da região do Vieiralves. É a volta de uma polêmica. Empresários, lojistas, motoristas e flanelinhas divergem sobre o programa, que dois anos após ser implantado ainda suscita muita reclamação por parte de todos os envolvidos.

Os lojistas se dividem – ainda imersos em incertezas sobre a sobrevivência de seus negócios em meio à pandemia – entre os que apontam perdas nas vendas por causa do sistema de estacionamento, e os que apoiam sua reativação por prover alguma organização nas ruas. Por outro lado, até hoje motoristas reclamam da falta de orientação, do número reduzido de monitores na operação do sistema e até de abusos cometidos por eles.

Enquanto o problema persiste, ir ao centro de carro é uma experiência desafiadora, encontrar uma vaga disponível é muito difícil, o programa Zona Azul oferece um número de vagas muito aquém da demanda, e a presença de pessoas que se passam por flanelinhas para extorquir condutores é constante.

O projeto Zona Azul foi apresentado pela Prefeitura de Manaus há dez anos como a solução para o cenário caótico no Centro. Deveria ter sido implantado em 2015, mas entrou em operação apenas em 2018, mesmo com uma série de deficiências. A desativação temporária em função do fechamento do Centro por causa da pandemia poderia ter sido uma oportunidade para fazer os ajustes, avaliando os resultados, identificando problemas e fazendo os treinamentos necessários. Nada disso aconteceu, e o Zona Azul vai voltar causando as mesmas reclamações de sempre.

O fato é que o dilema dos estacionamentos no Centro está longe de acabar, pois é resultado de uma intrincada rede de fatores como a ausência histórica de planejamento urbano e um sistema de transporte público vergonhoso. Quem pode, evita usar os ônibus para escapar da espera absurda, do desconforto, da superlotação e do risco de ficar pelo caminho com as frequentes panes mecânicas. O resultado é um excesso de carros nas ruas e uma imensa demanda por vagas de estacionamento.


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