Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Editorial

Doentes e desconhecidos


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24/05/2020 às 08:44

Relatos médicos e de enfermeiros indicam que um número grande de pessoas com suspeita de coronavirus e contaminados estão se tratando em casa. Os relatos feitos extraoficialmente reforçam as projeções cientificas sobre a quantidade de pacientes que não estão no registro oficial dos órgãos de saúde.

Nos municípios do Amazonas, a falta de estrutura médica força os pacientes e ou suspeitos a tomada dessa posição. Quando os sintomas são agravados é que as pessoas, familiares de pacientes, buscam o socorro. O que não é fácil de encontrar. A exceção de Manaus, nenhuma outra cidade do Estado possui o recurso da unidade de tratamento intensivo, quem dela precisar terá que percorrer distâncias que poderão ser fatais. 

Na capital, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem são procurados informalmente para socorrer pessoas em situação de desespero ou porque passaram a se sentir mal em meio a uma “virose muito forte”. Há, de acordo com relatos de profissionais médicos e de pacientes, medo em ir para o hospital porque entendem, em geral, ser esse lugar mais perigoso do que ficar em casa.

As últimas estimativas é que Manaus pode ter mais de 200 mil pessoas com coronavirus. Oficialmente, doentes e mortes continuam em crescimento. E no interior, o novo vírus avança constituindo a outra onda que atinge populações com baixa ou nenhuma cobertura de prevenção médica e de proteção. O quadro exige que em ritmo acelerado o governo crie uma base de atenção para socorrer nessas cidades os pacientes.

Médicos e enfermeiros padecem igualmente da subnotificação. Há os que estão contaminados e continuam trabalhando, apontam várias razões para permanecer em atividade, sintomas menos agressivos da doença, necessidade econômica de trabalhar. No balanço, o que se ver é a morte desses profissionais, de diferentes faixas-etárias, No Brasil mais de cem médicos morreram contaminados pela Covid-19.

Aumentar a testagem é uma das necessidades tanto para que se tenha um número mais próximo da realidade sobre contaminação pelo coronavirus quanto na adoção de vários protocolos que envolvem o tratamento da doença. Sem uma estimativa mais embasada, os procedimentos que estão sendo tomados podem se revelar precários e inócuo no esforço para garantir atendimento médico adequado e evitar mortes.


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