Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Disparidades no acesso à saúde


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23/05/2020 às 08:20

A pandemia está evidenciando uma série de disparidades há muito conhecidas e, frequentemente, desconsideradas pelo poder público. Uma dessas disparidades diz respeito à oferta de serviços de saúde entre as regiões do País. O avanço da covid-19 e a escalada no número de mortos no País estão diretamente relacionados ao número de leitos, disponibilidade de profissionais de saúde e de equipamentos como respiradores e cilindros de oxigênio. Cientistas de duas universidades do Brasil e uma dos Estados Unidos fizeram uma pesquisa que analisou a infraestrutura de saúde no país e relacionou com o enfrentamento à pandemia. O resultado já era esperado: as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste apresentam uma histórica deficiência de UTIs para atendimento. Isso é extremamente preocupante no momento que a doença mostra tendência de se espalhar por cidades menores nessas regiões, onde há menos médicos, equipamentos, e infraestrutura de saúde em geral. 

O fato de Manaus ter experimentado um pico no índice de infectados e de óbitos antes de  outras metrópoles brasileiras ressalta a estrutura insuficiente de saúde da capital, algo que precisa se encarado como máxima prioridade daqui para frente. Agora, com o espalhamento do vírus pelos municípios do interior, representa sério risco à população a estrutura ainda mais precária de saúde. A maioria dos municípios não tem nenhum leito de UTI e alguns não contam nem mesmo com médicos. 

Dados como esse precisam ser considerados pelo governo federal, juntamente com os Estados na reestruturação do sistema de saúde brasileiro, que terá que ser ampliado e aprimorado, levando em conta as especificidades regionais. O País precisa de um plano para garantir o  atendimento das cidade menores, menos populosas, mais distantes dos grandes centros urbanos e carentes de serviços de saúde. O problema de acesso também foi evidenciado em outro aspecto da pesquisa, revelando que, em alguns lugares, é preciso viajar oito horas para se chegar a um hospital.

Passada a pandemia, essa realidade terá que ser enfrentada de maneira criativa e eficiente. Um problema que só pode ser contornado por meio da atuação estratégica e articulada entre União e Estados.


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