Publicidade
Editorial

Câmara tripudia dos brasileiros

11/08/2017 às 21:02 - Atualizado em 11/08/2017 às 21:03
Show .654.6.

O Brasil explode em violência urbana e rural enquanto a Câmara dos Deputados assaca contra o povo e tripudia das enormes dificuldades porque passam as famílias. A ideia de reforma política ora colocada em prática em comissão especial está muito distante daquilo pelo que lutam há muitos anos inúmeros setores da sociedade.

O que está sendo proposto no âmbito da comissão para ser votado em plenário confronta com o mínimo que se espera de representantes da população no Legislativo. Mostra, mais uma vez, como a “representação” está desgastada e não mais consegue ser representativa senãoa grupos muitos restritos quase familiares que se utilizam desses mandatos para fazer negócios, manter privilégios e lucros.

Um Legislativo sob suspeita com parte citada e ou envolvida em casos de corrupção ignora solenemente a situação e passa a deliberar sobre reforma política com aparente ar de tema relevante tratado pela lógica da barganha. O texto que inclui fundo público de R$ 3,6 bilhões para financiamento de campanha recebeu 25 votos favoráveis contra 8. O voto distrital e a definição de um mandato de dez anos para ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal Militar e do Tribunal de Contas da União estão entre as decisões. Ainda que a reação a esse texto cresça a cada dia e que alguns deputados indiquem mudanças fica a pergunta: o que efetivamente querem os parlamentares  ao  formularem, na atualidade, essa proposta de reforma?

Mais uma vez não se trata de reformar para consertar pelo menos em parte o que não cabe mais. O que transparece é um açodamento do jogo “toma lá da cá” a fim de promover a sensação de mudanças e manter o que está posto. Passa por essa reforma o embate nada republicano do Legislativo com o Judiciário, ambos em postura que exorbitam suas funções.

Na comissão especial da Câmara os trabalhos foram encerrados de forma melancólica onde as cadeiras vazias falavam mais que os mandatos outorgados. O que está sendo proposto nesse momento como balão de ensaio para fazer “reforma” será apresentado logo e está fechado ao legislador que ignora o eleitor.  Dois assuntos mobilizam mais os analistas políticos – o valor do fundo público de campanha; e voto distrital. Não são os únicos sobre os quais a sociedade deve ficar atenta.