Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Ausência de liderança


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16/05/2020 às 09:31

Em meio a uma das maiores tragédias da história do Amazonas – a pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 1,3 mil pessoas no Estado – o Parlamento Estadual, que por definição já desempenha um papel essencial em nossa democracia, reveste-se de uma responsabilidade ainda maior, enquanto “Casa do Povo”, responsável por ecoar os anseios da população e contribuir positivamente na criação de leis que ajudem a enfrentar a situação extrema que o Estado vive atualmente.

Seria natural supor que divergências políticas, ideológicas ou de qualquer outra ordem fossem deixadas de lado e todos os deputados estaduais atuassem em uníssono tendo a crise sanitária como principal prioridade.

Lamentavelmente,  o que se tem visto na Assembleia Legislativa do Amazonas nos últimos dias é um espetáculo de grosserias sem precedentes. Um caos estimulado diretamente pelo presidente da Casa, que não demonstra qualquer constrangimento em colocar suas ambições políticas acima dos interesses da sociedade.

As sessões virtuais do Parlamento Estadual tem sido pouco produtivas muito em função da postura autoritária e pouco republicana adotada pela presidência, que chegou ao ponto de encerrar abruptamente duas sessões consecutivas apenas para que não houvesse o debate de temas que não são de seu interesse. Um vexame transmitido ao vivo pelas redes sociais, com demonstrações de autoritarismo e infantilidades -  como retirar os fones de ouvido para não escutar as manifestações de seus pares.  Alguns deputados expuseram sua vergonha ao reconhecer que esse caminho apenas enfraquece e desgasta a Assembleia, passando para a população a imagem de que a Casa não se sensibiliza com as centenas de vítimas fatais, tampouco com os efeitos danosos da pandemia como o desemprego e o fechamento de empresas.

Ontem, o IBGE revelou que o desemprego no Amazonas atingiu 14,5% da população no último trimestre, um triste índice que tende a se mostrar ainda mais expressivo nos resultados de abril e maio. O motivo é a pandemia, que obriga o poder público a tomar medidas restritivas para frear o contágio e evitar mais mortes. O enfrentamento requer união. A sociedade espera que  a crise de gestão que se instalou na Assembleia seja resolvida o mais rapidamente possível para que os esforços do Parlamento possam ser direcionados ao que realmente importa. Em um dos momentos mais obscuros do Estado, não há espaço para disputas políticas, quedas de braço e falta de foco. A ALE, assim como o País, precisa de liderança. 


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