Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
Editorial

Amazônia é uma questão mundial


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01/10/2020 às 08:30

A Amazônia está no centro do debate eleitoral nos Estados Unidos, como ficou evidente no primeiro confronto público entre os candidatos à Casa Branca. O candidato Joe Biden, ao criticar a política ambiental do presidente Donald Trump, propôs uma ação coordenada entre várias nações para disponibilizar US$ 20 bilhões (R$ 120 bilhões) para projetos de preservação na Amazônia. E também fez um alerta: “parem de destruir a floresta, caso contrário, haverá consequências econômicas significativas”, indicando possíveis retaliações ao governo brasileiro. Curiosamente, a busca por recursos é um dos pontos nevrálgicos do problema ambiental do Brasil. Sem recursos suficientes para custear as ações de enfrentamento aos crimes ambientais, por exemplo, o governo chegou a aventar a possibilidade de usar contribuições compulsórias das indústrias incentivadas na Zona Franca de Manaus.

É natural que a Amazônia esteja entre as preocupações internacionais. Trata-se de uma questão de envergadura mundial, uma vez que o nível de preservação ou de destruição da floresta tem repercussões diretas no equilíbrio ambiental e climático do planeta. Relatório do Painel Intergovernamental de mudanças climáticas (IPCC) aponta o aumento do desmatamento entre as prováveis causas para o aquecimento global. Aceitar o caráter internacional da questão não significa abrir mão da própria soberania. O Brasil pode e deve buscar parcerias com outras nações para implementar programas sérios de preservação ambiental. A Zona Franca não pode ser penalizada com mais encargos sobre as empresas quando há recursos estrangeiros disponíveis, desde que o governo brasileiro demonstre sensatez e preocupação legítima com o meio ambiente, especialmente com a Amazônia.

O País precisa dar uma resposta consistente, abandonando a estratégia de minimizar a destruição, banalizando as queimadas e seus efeitos, como se fossem algo normal e promovido pelos próprios povos tradicionais. Os dados são claros. No Mato Grosso, mais de 75% dos focos de incêndio registrados entre janeiro e agosto aconteceram em propriedades privadas; são queimadas feitas pelos próprios fazendeiros para ampliar a área de pasto. A responsabilidade do agronegócio e seus agentes tem que ser reconhecida e medidas precisam ser tomadas a respeito.
 


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