Domingo, 27 de Setembro de 2020
Editorial

Além da sujeira na praia


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02/08/2020 às 10:27

O acúmulo diário de lixo na praia da Ponta Negra, especialmente durante o final de semana, escancara duas situações: a falta de civilidade dos frequentadores – responsáveis pela sujeira na orla -, e a inércia da Prefeitura diante do problema, limitando-se a fazer a limpeza parcial da areia todos os dias. Faltam lixeiras e falta educação. Mas também falta a atuação firme de uma Prefeitura realmente preocupada com a preservação de um dos principais cartões postais da cidade. A postura do poder público municipal é a mesma que se vê quanto à situação do lixo nos igarapés: milhões são gastos na retirada de toneladas de lixo, apenas para, meses, depois, repetir a operação. Combate-se tão somente a consequência, sem atacar as causas do problema.

É triste constatar que os próprios banhistas e frequentadores são os principais poluidores da praia, deixando nas areias todo tipo de lixo, de fraudas usadas a garrafas de bebidas, muitas quebradas, colocando em risco a segurança de outros banhistas e até das pessoas que trabalham na limpeza. Quem não se importa em largar lixo na praia ou em qualquer outro local pública pensa de uma forma peculiar: “alguém vem limpar depois”, “a limpeza é o emprego de alguém”, “isso não é problema meu”... São argumentos comuns para disfarçar a própria falta de higiene, de educação e de civilidade.  

Em um mundo ideal, nem seria preciso gastar recursos públicos com a limpeza da praia. As pessoas teriam consciência de suas reponsabilidades com o patrimônio e cuidariam, não apenas da praia, mas de toda a cidade com o carinho que ela merece. É possível chegar nesse nível. Com programas intensivos de conscientização de adultos e educação ambiental nas escolas, por exemplo, seria possível ver certo resultado em alguns anos. Mas essa ação integrada teria que começar logo, o quanto antes. E, pelo menos inicialmente, teria que ser acompanhada de medidas punitivas. Sujar a praia já é infração punida com multa em várias cidades brasileiras. Em municípios do Tocantins, por exemplo, as multas partem de R$ 500.

Como resultado, a sujeira na praia diminuiu, embora não tenha desaparecido. Pelo menos, os infratores não saem impunes, e os recursos arrecadados com as multas são aplicados em programas de educação ambiental.


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