Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Adiamento era inevitável


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21/05/2020 às 08:25

Era inevitável que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fosse adiado por pelo governo federal. Era apenas questão de tempo. O Ministério da Educação só não adiou antes porque insistia no mix de teimosia e incompetência que tem marcado a gestão federal, especialmente na área da Educação. Não é razoável falar de prova do Enem em 2020 sem considerar que o ano letivo nem teve a chance de começar adequadamente, já que foi interrompido pela pandemia do novo coronavírus. O argumento de que as aulas continuam em plataformas digitais é só uma maneira de tentar tapar o sol com a peneira.

Todas as escolas públicas e particulares foram surpreendidas pela interrupção das aulas e a urgência em adotar, na marra, o ensino remoto. Professores se viram, do dia para noite, diante do desafio de assumir uma tarefa para a qual tiveram pouco ou nenhum preparo. Os resultados, até agora, variam entre os Estados e instituições particulares. É louvável o esforço de todos, mas é preciso reconhecer que está muito aquém do ideal. Isso sem falar nos alunos que simplesmente não conseguem acompanhar as aulas por falta de acesso à internet.

 Mas o adiamento anunciado ontem não ocorreu por sensibilidade a esses fatores, mas à pressão exercida por estudantes, professores, parlamentares e diversas instituições. Se o governo não o fizesse, seria obrigado pelo Congresso Nacional, como avisou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao presidente Jair Bolsonaro, em um diálogo que seria impensável há algumas semanas. Na última terça-feira – em face da inércia característica do governo – o Senado aprovou projeto visando o adiamento. A proposta só dependia da Câmara para ser aprovada.    

Para não ter que ceder ao Parlamento, o ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou, juntamente com o adiamento, uma “consulta” aos estudantes para definir um novo calendário. Essa novela toda serviu pelo menos para revelar um ponto fundamental: o gigantesco despreparo do País em relação às ferramentas mais modernas de educação, que incluem o ensino remoto. Um desafio que precisa ser enfrentado com seriedade daqui para frente. Paralelamente às medidas de combate à recessão que virá, o País terá que adotar uma política concisa e ampla para modernizar a educação, o que passa por investimentos estratégicos e foco em aspectos técnicos e pedagógicos, sem a atuação ridiculamente ideológica que tem ocorrido.
 


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