Terça-feira, 14 de Julho de 2020
ALERTA

Queimadas podem trazer 'fumaceiro' e agravar o quadro da saúde na pandemia

Alerta foi emitido por pesquisadores do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Problemas respiratórios podem aumentar por conta da fumaça de queimadas



share_big_1_F2B9F073-162C-43C1-B9AC-FE2FD4753051.jpg Foto: Divulgação
28/04/2020 às 11:04

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) temem que as queimadas na região amazônica voltem a encher novamente o ar de fumaça em 2020 – o que, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), aumentaria ainda mais os casos de problemas respiratórios na população. O alerta foi dado em nota técnica assinada por quatro pesquisadores do instituto.

Um trecho introdutório da nota técnica alerta que, desde já, é preciso colocar em curso estratégias de enfrentamento do desmatamento, que, segundo registro do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos três primeiros meses deste ano aumentou 50% em terras públicas que estão sob a guarda da União e dos Estados, o que seria um estopim para uma nova “estação intensa de fogo” na região.



O destaque fica por conta das terras públicas com cobertura florestal sem um uso específico, que são alvo de grilagem e que respondem por 15% da Amazônia. Entre janeiro e março, 33% da derrubada aconteceu nessa categoria fundiária nos três primeiros meses de 2020, mais do que em qualquer outra. No mesmo período de 2019, o índice era de 22%.

Conforme a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar, no geral, o desmatamento no primeiro trimestre deste ano girou em torno de 51%.  "Quando a estação seca chegar à Amazônia, essas árvores derrubadas vão virar combustível para queimadas. Aliás, esse foi o ingrediente principal da temporada de fogo de 2019, uma história que pode se repetir em 2020 se nada for feito para impedir", explicou a pesquisadora, principal autora da nota técnica, que reúne informações sobre a estação de fogo do ano passado, que chamou a atenção do mundo todo.

A nota técnica destaca ainda que, em 2019, a alta das queimadas teve como propulsor o desmatamento crescente e não a seca, como alegou o governo federal à época.

“Os primeiros oito meses de 2019 apresentaram uma elevação de 92% da taxa em relação ao mesmo período de 2018, segundo dados do Deter. "A Amazônia é uma floresta úmida e não pega fogo naturalmente. O fogo ali tem dono, e ele se chama homem", frisa Alencar.

Segundo o estudo, os dois decretos federais que proibiram o uso do fogo por dois meses e enviaram as Forças Armadas para a Amazônia inibiram as queimadas, mas “não desligaram as motosserras”: o desmatamento continuou crescendo nos quatro meses seguintes (2.758 km2, segundo dados do Deter).

"A fiscalização do desmatamento na Amazônia é tão importante hoje quanto foi 20 anos atrás, quando o Brasil derrubava mais de 20 mil quilômetros quadrados por ano de floresta. Não podemos chegar neste nível novamente", afirma Moutinho.

Ipaam intensifica  fiscalização

O Amazonas se antecipou à divulgação dos números que revelaram o aumento do desmatamento na Amazônia durante a pandemia de Covid-19 e, no último dia 17, realizou uma reunião para tratar das primeiras ações de planejamento de atuação contra a degradação da floresta amazônica.

À equipe de reportagem de A CRÍTICA, em nota, o diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, disse que esse planejamento conta com a intensificação das atividades da sala de situação, ações de monitoramento remoto e ações de reestabelecimento do Grupo de Trabalho de queimadas contando com várias instituições como Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente, Batalhão Ambiental, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil dentre outros do corpo militar.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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