Domingo, 27 de Setembro de 2020
EDUCAÇÃO

Professores do AM questionam segurança para retorno às aulas

Educadores destacaram pontos durante live e medos quanto à Covid-19. Retorno das aulas na rede pública está marcado para o dia 10 de agosto



professores_95F33F6F-EA88-43FE-8190-2F11DEFA279A.JPG Foto: Reprodução / Internet
02/08/2020 às 12:33

A falta de estudo técnico que garanta a segurança no retorno às aulas da rede estadual, ampla testagem de professores dos grupos de risco e rede de atenção a alunos e docentes suspeitos de contaminação por Covid-19 foram alguns aspectos abordados durante a live realizada pelo movimento Professores de Base do Amazonas na tarde deste sábado (1°) pelo YouTube.

O debate teve participação do infectologista e sanitarista Mena Barreto França; do presidente da Associação de Medicina do Trabalho (ANAMT), Cleverson Redivo; do professor da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Jorge Moura; e mediação do professor de História da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Rafael César.



Na opinião dos participantes, falta articulação entre o poder público, professores, pais e instâncias como os conselhos estaduais de Saúde e Educação no planejamento do retorno. Essas lacunas reforçam o argumento de que o reinício das aulas presenciais, marcado para o dia 10 de agosto, é precipitado e serve para atender a interesses de apadrinhados políticos que atuam como gestores de escolas, com vistas às eleições municipais.

Para Redivo, o percentual de infectados pelo novo coronavírus no Amazonas ainda é pouco conhecido devido à testagem insuficiente. “Os protocolos dizem que, quanto mais testar, mais preciso será o perfil da população e, assim, vamos possibilitar um trabalho mais efetivo e pontual”.

“Há mais mortos nos últimos dez dias do que no período anterior ao pico de abril, e a tendência é piorar com o retorno às aulas”, observou César.

Com o fechamento dos Centros de Atenção Integral à Criança e Adolescente (Caics) e Centros de Atenção Integral à Melhor Idade (Caimis) por causa da pandemia, tanto alunos como professores estarão em situação vulnerável diante do novo coronavírus. Mais de 15 mil professores têm idade superior a 40 anos.

“Precisamos de Médicos da Família para atender esses casos específicos com médicos, enfermeiros, agentes comunitários e técnicos de enfermagem 8 horas por dia”, propôs Redivo.

A falta de especialização para posições de liderança na área da educação e saúde foi objeto de críticas. “A saúde no país e, em Manaus em particular, está piorando. Isso pode ser percebido na atuação dos gestores municipais e estaduais”, afirmou França.

“São cargos assumidos por pessoas sem a mínima capacidade de entender o que é saúde pública. E essas pessoas têm a função de publicar notas técnicas para determinar o que é pandemia”, ironizou Redivo, que sugeriu a criação de subcomitês com quadros da Seduc, Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e Secretaria de Estado de Administração (Seas).

“Falta cobrar dos empresários que fazem o PMOC (Plano de Avaliação, Manutenção e Controle) do ares-condicionados. Se não houver controle social tanto na educação quanto na saúde, não vai funcionar. A FVS (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas) fez algum estudo para verificar a presença de agentes biológicos nesses aparelhos?”, indagou Redivo.

Outra preocupação é a falta de monitoramento das medidas de segurança nas escolas de tempo integral no período entre o fim do turno da manhã e o início do período vespertino. “Quem garante que vão manter o distanciamento social, a higienização das mãos e o uso de máscaras?”, questionou César.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caics) e os Centros de Atenção Integral à Melhor Idade (Caimis) estão passando por reestruturação física e de serviços. “Enquanto não há o retorno das atividades, a população pode procurar pelos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs)”.

Nota Seduc-Am

A Secretaria de Estado de Educação e Desporto informa que o Plano de Retorno às Atividades Presenciais agrega direcionamentos pedagógicos e protocolos de segurança em saúde a serem seguidos pelos estudantes, professores e demais servidores das unidades escolares. Todas as normas estão baseadas nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), que acompanha todos os casos de Covid-19 no estado.

Quanto ao diálogo com a comunidade escolar, a Secretaria de Educação esclarece que em junho realizou mais pesquisa onde foram ouvidos mais de 80 mil pais, responsáveis e servidores da educação sobre o retorno às atividades presenciais. A pesquisa, inclusive, mostra que 97,14% dos professores da rede pública estadual de ensino, que lecionam na capital, aprovam a volta às aulas no regime híbrido, que inclui aulas presenciais e remotas e é um dos protocolos de segurança. O estudo tem índice de confiança de 95%, de acordo com o Departamento de Estatística.

A retomada das aulas presenciais faz parte do 4° ciclo do plano de reabertura gradual das atividades não essenciais do Governo do Amazonas, que teve início em 6 de julho com a reabertura das unidades de ensino da rede privada. As aula retornam somente um mês do previsto justamente pela necessidade de adequação da rede, que atende mais de 400 mil estudantes. 

Todo o Plano de Retorno pode ser acessado pelo endereço: http://www.educacao.am.gov.br/plano-de-retorno-as-atividades-presenciais/

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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