Sábado, 04 de Julho de 2020
ENCONTRO

Prevenção ao coronavírus é tema de reunião do Comitê de Emergência em Saúde

Encontro reuniu representantes da Indústria, Comércio, Serviços e Setor Agropecuário do estado e apresentou orientações contidas no Regulamento Sanitário Internacional, o cenário epidemiológico, além de medidas de contenção



WhatsApp_Image_2020-02-07_at_16.09.13_0FE6EDCE-61B7-4A99-ABC8-431129461049.jpeg Foto: Divulgação/Ascom Sedecti
07/02/2020 às 17:57

O Novo Coronavírus (2019-nCoV) tem preocupado diversos setores em todas as partes do mundo, e a relação econômica entre países asiáticos e o Amazonas não é diferente. Dessa forma, a fim de esclarecer recomendações de enfrentamento à doença, o Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública do Estado reuniu-se, na manhã desta sexta-feira (7), com os representantes do Pólo Industrial de Manaus (PIM), Comércio, Serviços e Setor Agropecuário para alinhamento e orientação a cerca dos cuidados com os possíveis casos.

Durante a reunião, realizada no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), bairro Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus, foram apresentadas aos representantes orientações contidas no Regulamento Sanitário Internacional, o cenário epidemiológico do Amazonas, Brasil e no mundo, além de medidas de contenção.



O titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Jório Vieira, destacou a necessidade de vigilância nas fronteiras, tendo em vista a relação do Amazonas com países como a Guiana Ingresa, mais especificamente a cidade de Lethem, que faz fronteira com o Brasil pelo estado de Roraima.

“Nós temos uma grande quantidade de empresas que possuem o relacionamento com a China, então essas viagens para lá e para cá devem ser bem monitoradas e a gente imagina que quanto menos tenhamos a interface nesse momento, até nós entendermos melhor, será mais seguro para todos”, declarou o secretário.

“Outro ponto importante é a vigilância de fronteiras. A gente tem próximo, em Lethem, uma grande quantidade de asiáticos e há muitas caravanas que vão as compras para lá. Essa é uma fronteira que teremos de ter um cuidado especial e com certeza, nossas autoridades em saúde estão atentas a isso”, acrescentou ainda.

Em relação ao Coronavírus, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto, assegurou que não há casos no Estado. Sobre a reunião, ela destacou que a reunião serviu tranquilizá-los a classe de trabalhadores da indústria  quanto à doença.

“Nós não temos circulação do vírus no país até o momento. Nós temos implantado em nível nacional, uma situação de alerta para a detecção precoce de possíveis casos. O Amazonas está preparado, o Brasil está preparado, e nós estamos na coordenação e execução de um plano de contingência”, garantiu a epidemiologista.

Ela acrescentou ainda, as estratégias tomadas pelo Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública do Estado, o qual articula ações de prevenção e atenção ao Coronavírus. “Temos ações na fronteira com Tabatinga, Peru e Colômbia. Estamos ainda, articulando ações a Secretaria de Saúde de Roraima no sentido de prevenir possíveis casos vindos a partir de Lethem, onde há um comércio muito grande  de orientais”.

Além das formas básicas de prevenção, foi sugerido que as próprias empresas e o comércio que produzam folhetos de educação em saúde com informações sobre a prevenção de doenças respiratórias em ambiente de trabalho.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, ressaltou que várias recomendações já haviam sido feitas aos comerciantes, empresários e industriários, porém destacou a necessidade de se fortalecer a informação de educação em saúde. 

"Sem dúvida nenhuma, independente disso aqui, nós já havíamos recomendado às empresas para que tenham cuidados ao receber pessoas da Ásia de modo geral, e em particular da China. Uma iniciativa dessa entre o Governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus e as representações da Indústria e Comércio, de todos se envolvendo, eu vejo como uma medida para maior segurança de forma que possamos evitar consequências para o nosso Estado. Vejo que nós todos devemos estar unidos para combater esse vírus, mas sem esquecer das nossas peculiaridades regionais que elas são sazonais. O que será adotado daqui para frente serão as recomendações que aqui ocorreram, nós pegaremos os relatórios e normas técnicas para fazermos os nossos procedimentos internos", finalizou. 

O Comitê foi instituído pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e a FVS-AM, por determinação do governador Wilson Lima, e conta ainda com representantes da FMT-HVD, Secretaria Municipal de Manaus (Semsa), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Superintendência Regional do Ministério da Saúde, Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), Defesa Civil do Amazonas, Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, SAMU e HPS Delphina Aziz.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

Muito além do Coronavírus, o que mais preocupa as autoridades em saúde do Amazonas é a  Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que registrou desde novembro de 2019, 22 óbitos. Conforme o último Boletim Epidemiológico, divulgado na quinta-feira pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, foram notificados 149 casos de SRAG, 20 casos a mais que na última edição divulgada no dia 30 de janeiro de 2020.

As notificações foram da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e correspondem à análise de notificação de novembro de 2019 até o dia 5 de fevereiro de 2020.

“Nós temos que nos preocupar com o que está matando aqui hoje. Estão circulando no Estado principalmente a Adenovírus e o  Vírus Sincicial Respiratório (VSR), este último, afetam principalmente bebês prematuros. Além disso, há a Influenza B que apresentam sinais como febre, tosse, desconforto respiratório, dor de garganta e outros sintomas. Este quadro tem levado as pessoas para UTI e as levado à óbito”, afirmou a Rosemary Pinto.

A FVS informou que no total foram registrados, a partir de novembro, 22 óbitos por SRAG. Desses, oito foram por vírus respiratórios e 14 por outras síndromes respiratórias não virais. Dos oito óbitos todos são residentes de Manaus, 3 por Influenza B, 3 Adenovírus, 1 Vírus Sincicial Respiratório (VRS) e 1 Metapenumovírus.

Ainda em relação aos óbitos, 86% apresentam pelo menos um fator de risco respiratório, com 66% respectivamente em pacientes idosos, cardiovasculares ou com diabetes, 50% pneumopatas e 16% em crianças de 1 a 4 anos.

“Vamos nos preocupar com o Coronavirús? Vamos. Mas temos que pensar em nossos vírus domésticos, por enquanto não temos vacina ainda e essa coletas que nós produzimos o ano inteiro, contribui para a vigilância viral dos vírus. Esperamos adiantar essas vacinas, porém enquanto isso, aquelas medidas de prevenção padrões precisam ser tomadas”, destacou.

A Síndrome Gripal (SG) é a gripe ou resfriado. Já a SRAG é um estágio mais delicado da gripe ou resfriado que pode levar o paciente à internação ou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Prevenção

O Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente foi descoberto em dezembro do ano passado após casos terem sido registrados na China. A epidemiologista e diretora presidente da FVS-AM, Rosemary Pinto afirma que as medidas de contenção, de prevenção e cuidado são as mesmas do programa de contenção da gripe.

“Lave as mãos, se fizer isso evitará várias doenças não somente as respiratórias, e levem consigo álcool gel. Evite aglomerado. E se uma pessoa estiver sintomática, ou seja, com espirros e com tosse, saia de perto por que a doença se dá de pessoas para  pessoas e por meio das mãos. Hidratação é importante assim como a boa alimentação ”.

No Amazonas, o Hospital de referência é o hospital Delphina Aziz para encaminhamento de casos suspeitos do novo coronavírus, tanto para a demanda espontânea, quanto para os pacientes referenciados pela rede de saúde, aeroportos ou outros pontos de vigilância. São considerados suspeitos os casos de pessoas com os sintomas, que tenham estado na China ou tenham tido contato com pessoas que estiveram no país asiático.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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