Sábado, 04 de Julho de 2020
POLÍTICA

Prefeituráveis divergem sobre adiar eleições municipais de outubro

Proposta de adiamento da data da eleição por conta da pandemia não é consenso entre os pré-candidatos a prefeito de Manaus



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12/04/2020 às 15:36

A pandemia do novo coronavírus no Brasil impôs o distanciamento social em diversas cidades do país, como medida para conter o avanço da doença, e levantou o debate sobre o eventual adiamento das eleições municipais de 2020. Consultados por A CRÍTICA, pré-candidatos à Prefeitura de Manaus demonstram não haver consenso em relação a essa mudança, que não é tão simples.

O adiamento das eleições foi sugerido pelo Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mas foi rejeitado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 



A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, criou um Grupo de Trabalho (GT) para projetar os impactos da pandemia nas atividades da Justiça Eleitoral, especialmente, nas eleições.  Segundo o TSE, o GT visa compilar dados e avaliar as condições materiais para a realização do pleito em outubro.

Este ano

A ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que já concorreu à prefeita em 2012 levando a disputa para o segundo turno contra Artur Neto (PSDB), avalia que deve ser feito todos os esforços para não adiar as eleições e em uma eventual alteração que a data ainda seja neste ano. “Que seja mantido, caso não seja possível adie o pleito para este ano ainda. Sou terminantemente contra a unificação das eleições que acarretaria uma ampliação de mandatos”, declarou.

Cogitada no PSDB para suceder Artur, a ex-deputada e secretária municipal da mulher, assistência social e cidadania, Conceição Sampaio avalia que o TSE irá se posicionar, no momento certo, sobre as condições de realizar o pleito. Ela é favorável a proposta de eleições gerais unificadas em 2022. “O custo para o país será muito menor numa eleição geral e que se prorrogue os mandatos do executivo e do legislativo. As eleições não podem estar como ponto prioritário na pauta de ninguém, hoje é a vida”, disse.

O ex-deputado David Almeida (Avante) manifestou neutralidade e ponderou que a decisão do TSE será acatada. “Não é o momento de falarmos sobre eleição, de partido, de ideologias. É de unir todas as forças em todos os âmbitos, esferas e combater o inimigo comum, o coronavírus”, afirmou.

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas,  Josué Neto (PRTB) compartilha do mesmo posicionamento. “Eu confio na decisão da justiça. A decisão que o TSE tomar tenho absoluta certeza que será de acordo com a realidade do povo brasileiro”, disse.

Procurado pela reportagem, o vereador Chico Preto (DC) disse ser um “absurdo num momento desses querer falar em eleição. Sem condições. Meu foco é outro”.

A assessoria de imprensa do deputado federal Alberto Neto (Republicanos) informou que o parlamentar não irá se manifestar sobre o tema. Em março, o parlamentar lançou a candidatura a prefeito com a promessa de diálogo com todos os partidos políticos para formar alianças no pleito municipal.

‘Sou a favor que se adie’

A Delegada Débora Mafra manifestou ser favorável ao adiamento das eleições municipais deste ano. Ela se filiou ao PSC, do governador Wilson Lima, e figura como possível candidata à prefeita. 

“Sou totalmente a favor que adie as eleições em prol da nossa saúde e da vida das pessoas. Se estamos na campanha fica em casa não tem como na época das eleições as pessoas saiam de casa e fiquem aglomeradas  em filas. Tem que ouvir a saúde. Quando a saúde liberar, na época correta tem a eleição”, avalia.

Ela disse que assinou a ficha de filiação, de  última hora, a convite do presidente estadual da PSC, Miltinho Castro, no dia 3 de abril quando se afastou do cargo de  titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher.

“Saí do cargo de delegada para concorrer à vereadora, mas meu nome está rondando nas pesquisas (internas da sigla) porque a minha vontade é ser prefeita de Manaus. Com a experiência na polícia, tenho capacidade para administrar Manaus ou até (auxiliar) no Legislativo porque sou formada em direito, especialista em direito tributário”, disse.

Petistas discordam sobre adiamento

Três parlamentares vão disputar as prévias do PT para definição do candidato a prefeito. O deputado federal José Ricardo avalia que o isolamento social, e com isso a dificuldade de executar ações e preparar as eleições, impossibilita a manutenção do pleito em outubro. 

“Tudo indica que, provavelmente, vai ser adiado. É o mais coerente. Se aquilo que os especialistas estão falando quanto ao pico da pandemia no País e a redução, para agosto e setembro, está configurado que não tem condições de manter em outubro. A tendência seria postergar e defendo que seja, se possível, ainda neste ano, senão no início de 2021”, afirmou José Ricardo, acrescentando ser contrário a unificação das eleições para 2022.

O pré-candidato e vereador Sassá concorda com o adiamento. “Pode ser ano que vem ou em 2022. Não pode ser nesse ano porque o povo não aguenta mais falar em eleição por causa dessa epidemia. É hora de pensar na população e eleição deixa pra depois”, declarou.

O deputado  Sinésio Campos disse que dificilmente às eleições serão canceladas. “É praticamente irreversível o processo eleitoral neste ano. Pode ser em novembro ou dezembro. É aguardar o desdobramento do coronavírus. A unificação das eleições deveria acontecer porque são menos despesas”, disse.

Marcos Rotta, vice-prefeito de Manaus e pré-candidato pelo DEM

“Com relação  à eleição, temos que ter prudência porque quem foi eleito em 2016 seguiu às regras   da Constituição Federal para o mandato de quatro anos”, disse o vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta sobre as propostas de adiamento da eleição por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Prorrogar isso, acho, pode incorrer em erros constitucionais, legais e jurídicos. Se as coisas acontecerem conforme a previsão do Ministério da Saúde de que vamos alcançar o pico no final de abril e maio, adiar é algo que temos que começar a perceber essa possibilidade. Prorrogar mandato não”, disse Rotta. 

Ele afirmou que concorda com o adiamento da eleições para ainda este ano desde que a pandemia permita que se tenha uma eleição com uma margem de segurança de 100%. “Eleição se define por diversas maneiras, formas, mas o contato com o eleitor, as reuniões, os comícios, as caminhadas, o aperto de mão isso faz também com que o processo eleitoral possa se definir. Se você não tiver o contato com o seu eleitor como vai poder apresentar as suas propostas, justificar o seu plano de governo. Fica, realmente, inviabilizado, mas tudo vai passar pelo tempo da pandemia”, afirmou.

 

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Repórter de A Crítica

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