Quinta-feira, 01 de Outubro de 2020
EFEITO PANDEMIA

Polo Industrial de Manaus tem 40 mil trabalhadores em isolamento domiciliar

Sindicato aponta contingente de trabalhadores da Zona Franca de Manaus de férias, licença remunerada ou banco de horas por conta do coronavírus



1599917_88D53893-2BF7-41B5-8355-7C94118B808A.jpg Polo de duas rodas da Zona Franca de manaus, com cinco montadoras que empregam mais de 13 mil trabalhadores na ZFM reduziu jornada de trabalho dos funcionários. Foto: Arquivo/AC
19/04/2020 às 07:00

Cerca de 27 empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) suspenderam a produção, parcial ou total, temporariamente em suas fábricas diante da propagação do novo coronavírus (Covid-19) no Estado. Outras indústrias reduziram a operação fabril e muitas liberaram trabalhadores que pertencem ao grupo de risco ou com sintomas gripais, além da adesão ao home office em funções administrativas.

Na última semana, sete empresas dos Distrito Industrial de Manaus, que no final de março concederam férias remuneradas a seus funcionários, retornaram às atividades com medidas de proteção. A Samsung e a Transite adotaram o revezamento das equipes em turnos, o distanciamento necessário entre os trabalhadores na fábrica e a medição de temperatura. Também já voltaram a operar a Technicolor, Panasonic e Tecplam.



O segmento eletroeletrônico lidera com 15 empresas que anunciaram paradas, segundo dados do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas (Sinaees-AM). A Whirlpool concedeu 30 dias de férias para toda fábrica a partir do dia 30 de março. A LG informou que os funcionários estão afastados por banco de horas e voltam no dia 21. Sony e Pioneer deram 15 dias de férias e o retorno está previsto para o dia 24 e 27, respectivamente.

A operação da Multilaser está reduzida, com 50% dos funcionários em férias coletivas desde a primeira de março. A empresa informou que o ‘retorno se dará conforme a recuperação do mercado, ainda sem previsão e sendo acompanhado’.


Sete empresas, como a Samsung e Transire, que, no final de março, deram férias coletivas remuneradas começaram a retomar às atividades.

Duas rodas

Em seguida vem o polo relojoeiro com sete empresas paralisadas como a Chronos, Conipa (Vivara) Magnum, MS Gold, Orient, Seculus e Technos. A fabricante dos produtos da H.Stern no PIM reduziu a jornada de trabalho dos seus funcionários. E o polo de duas rodas com cinco montadoras que empregam mais de 13 mil trabalhadores na ZFM. A Yamaha adiou o retorno dos industriários das férias coletivas para o dia 30 diante do aumento da disseminação do Covid-19 em Manaus.

A Moto Honda e a BMW Group Brasil estão previstas para retomar a produção de motocicletas no dia 4 de maio. A Harley-Davidson do Brasil manteve a produção na fábrica do PIM suspensa. A empresa não informou quando deve voltar à rotina fabril, mas esclareceu que continuará monitorando a situação e fará ajustes adicionais conforme necessário, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e das autoridades locais de saúde. Segundo lideranças da indústria, a Dafra também interrompeu a produção de motos.

Afastados

Mais de 40 mil trabalhadores do PIM estão em casa de férias, licença remunerada ou compensação do banco de horas, conforme projeção do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana.

Ele afirmou que a entidade sindical é favorável à retomada da atividade industrial desde que seja adotado medidas para garantir a saúde dos funcionários, entre elas, a redução do número de pessoas nas rotas. “Queremos que o governo libere o ICMS do diesel. Vai ser mais barato o transporte das rotas, evitar que as pessoas fiquem doentes e que os motoristas do fretamento sejam demitidos”, disse.

Quatro empresas do segmento de eletroeletrônico estudam a suspensão temporária do contrato e/ou a redução da jornada de trabalho/salário. Segundo o Sinaees-AM, uma multinacional fabricante de eletrodomésticos suspendeu o contrato por 30 dias mantendo os profissionais da área de suporte em home office. Valdemir Santana disse que empresas buscaram o sindicato para adotar essas medidas, estabelecidas na Medida Provisória (MP) 936, mas no primeiro momento estão optando por férias e suspensão do contrato.

Segundo o sindicalista, nos meses de fevereiro e março foram registrados 1,6 mil demissões no distrito industrial. Santana teme que a MP 905 que criou o Contrato Verde e Amarelo, com mudanças polêmicas na legislação trabalhista, gere mais demissões no estado. Se a MP não for aprovada pelos senadores até amanhã, perderá a validade.

Estudo

A Suframa informou que tem estado atenta a toda questão que envolve os impactos da pandemia na sociedade e na economia local, tanto no setor industrial quanto nos demais que fazem parte das atribuições da autarquia. “Um estudo está sendo elaborado a partir de verificações junto a entidades de classe, dentre outros, para nortear ações que contribuam regionalmente e nacionalmente”.

Inspeções

No decreto nº 42.101 o governo do Amazonas determina que as indústrias do PIM adotem as recomendações da Fundação de Vigilância Sanitária em Saúde do Amazonas (FVS-AM). A FVS-AM informou que fez inspeções nas fábricas e cobrou das empresas os planos de contingência com a descrição das  ações a serem adotadas, entre elas, a disponibilização de álcool gel  70%, o afastamento dos trabalhadores com sintomas gripais, a higienização e desinfecção dos ambientes coletivos, e redução de pessoas nos refeitórios.

Blog da Natasha Abreu - Médica do trabalho da P&G

“Em um  momento de crise como este, é fundamental que o  cuidado com a segurança  e saúde dos funcionários seja a prioridade no ambiente fabril. O foco deve ser na prevenção, reforçando medidas de higiene como lavagem de mão, uso de álcool em gel e sobre a importância do distanciamento social. Na P&G, além do aumento nos protocolos de limpeza habituais, foram adotados procedimentos de restrição para visitantes e viagens a trabalho, aferição de temperatura na entrada dos turnos de trabalho, triagem de sintomáticos respiratórios com isolamento domiciliar precoce do funcionário e seus contatos, uso de máscaras por todos os funcionários, aumento no número de rotas, reorganização do refeitório para aumentar distanciamento, cancelamento de treinamentos, home office para atividades administrativas e licença remunerada para grupos de risco que não podem exercer suas atividades no domicílio.”

Em números

89.251 Trabalhadores , entre efetivos, temporários e terceirizados, foi a média mensal de empregos do PIM em 2019, segundo dados da Suframa. No mês de dezembro, havia 89.480 industriários empregados distribuídos em aproximadamente 450 empresas.

Comentário de Wilson Périco - Presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas

Algumas variáveis são observadas se a empresa vai voltar ou não a operar. As que pararam por falta de matéria-prima, o insumo chegou (da China)? Como está o mercado? Eles vão produzir para deixar em estoque? E somado a isso a questão da vida.

A pandemia, em níveis de crescimento, não oferece a segurança, a tranquilidade para que o trabalhador possa voltar para casa, manter o isolamento, sem se contaminar, e votar para o trabalho, mesmo com as empresas evitando a contaminação. As empresas que estão fazendo EPI estão doando e não vendendo. Empresas que se dispuseram a produzir o ventilador pulmonar, Honda, Transire e BIC, não vão cobrar pela mão de obra ou pelo espaço da indústria utilizado.

A nossa prioridade é garantir a vida de toda a sociedade. A indústria tem que ter demanda. Precisa produzir e alguém está comprando. Mesmo com as compras online, as pessoas não estão comprando em grande quantidade os produtos que fabricamos aqui que não fazem parte do grupo de essenciais. As pessoas estão preocupadas em ter o alimento e garantir o sustento da família. Não vai ser fácil, algumas pessoas e os negócios vão sofrer, mas isso vai passar. Sairemos como cidadãos, país e sociedade muito mais fortes.

Personagem: Vice-presidente da Fieam Nelson Azevedo

“Todas as empresas do polo relojoeiro estão paradas com estoques altos e não podem dar vazão porque não tem pra quem vender. Os próprios clientes estão pedindo para segurar. Não é pela falta de pedido. Não tem como receber mercadoria nas lojas, que estão fechadas, e o serviço de transporte, logística não está funcionando.

Muitas empresas do polo eletroeletrônico estão operando em turnos reduzidos, embora apresentem custos com o aumento do consumo de energia elétrica, transporte e alimentação. Todos os segmentos estão paralisados, pois uma montadora com atividades suspensas significa que toda a cadeia de componentes, produzem bens intermediários, para porque não produz.


Sou um deles, somos obrigados a cumprir a carga horária do meu cliente da empresa montadora. Avalio que os critérios devem ser observados com mais cuidado e começar aos poucos ir liberando dentro de algo que possa evitar a contaminação porque as empresas adotam muita precaução. Tem que ser analisado essas medidas restritivas que possam trazer problemas sérios. Não ter venda também compromete a arrecadação do Estado. Saúde e economia são atividades interdependentes. Em primeiro lugar vem a saúde das pessoas para poder trabalhar, mas se não tiver os recursos financeiros necessários para manter a saúde das pessoas fica difícil.”

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