Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
Efeitos da Pandemia

Missas presenciais retornam com fiéis em ‘novo normal’ em Manaus

Igrejas católicas em Manaus reforçam as medidas de prevenção à Covid-19 em celebrações presenciais



z-CID0106-001_p01_CA44594B-79C3-4D00-9BC8-B7356331E0F1.jpg Foto: Winnetou Almeida
06/07/2020 às 09:38

“Bem-vindos ao novo normal”. A frase, que se tornou comum no período de mudanças causadas pela pandemia do novo coronavírus, não foi proferida por algum coach ou filósofo, mas pelo pároco da Paróquia de São Sebastião, frei Paulo Xavier, no último sábado. A data marcou a retomada das celebrações presenciais em alguns templos católicos (igrejas e capelas) após mais de três meses de portas fechadas.

Na entrada da paróquia, localizada no Centro, Zona Sul de Manaus, uma equipe de voluntários da Congregação Mariana oferecia álcool em gel e orientava os fiéis sobre a distância que deveria ser mantida nos bancos. A Arquidiocese de Manaus recomenda que os fiéis higienizem as mãos antes de receber a Eucaristia durante a Comunhão. A hóstia será colocada em suas mãos para evitar o contato da saliva com os dedos do ministrante.



“As medidas são um passo a passo desse novo tempo de acolhida ao público”, ressaltou frei Xavier. Na reflexão do pároco, o trabalho de orientação dos fiéis em relação às medidas sanitárias é um exemplo de responsabilidade com a vida. “Não podemos abrir a igreja de qualquer jeito”, enfatizou.


Pároco e frei Paulo Xavier reduziu em 30% a presença das pessoas nas missas. Foto: Winnetou Almeida

A capacidade total da Paróquia de São Sebastião (cerca de 300 pessoas) teve redução de 30%, o que corresponde a 70 pessoas na área reservada aos bancos e 20 no coro. Aos domingos, as missas no local são realizadas às 6h, 12h e 18h. “Durante intervalo, fazemos o planejamento das medidas de higienização e distanciamento”, acrescentou o padre. Embora pertencentes ao grupo de risco da Covid-19, um idoso e uma criança entraram na igreja sem dificuldades.

A servidora pública Júlia Dias de Almeida, 31, resolveu acompanhar o marido, membro do grupo de auxílio na organização das medidas de segurança, e aproveitou para acompanhar a primeira missa presencial na paróquia desde a retomada.

“Frequento a Igreja de São Paulo Apóstolo, no Parque Dez, na área missionária São Lourenço. As celebrações presenciais não retornaram lá”, explicou. “Para nós que temos esse costume da fé cristã, frequentar a santa missa todos os domingos fazia muita falta. Assistir pela televisão tem seu valor, mas é diferente de estar na igreja e poder sentir essa energia que vem de Deus”, completou.

“Acho que é o momento seguro, pois sentimos falta de assistir a missa aos domingos, de comungar e escutar a homilia”, comemorou a estudante de Turismo, Larissa da Silva Nogueira, 21, que começou a estagiar no setor de dízimos e na secretaria da paróquia no sábado.

A bibliotecária Maria Gabriele Rodrigues, 28, frequenta a paróquia há três anos e aprovou a organização. “Eu e minha mãe acompanhamos as missas pela televisão (canais Canção Nova e TV Pai Eterno). Não temos o costume de assistir pela internet, porque o sinal é ruim”, disse.

O pároco avaliou as transmissões online como “um grande sucesso” e afirmou que a igreja vai continuar investindo no aperfeiçoamento das plataformas digitais e dos meios de comunicação. As missas presenciais também serão transmitidas em canais das paróquias e igrejas no Facebook.

Controle do público e higienização

As adaptações das missas presenciais devido a pandemia da Covid-19 foi um desafio para quem trabalha também nos bastidores das celebrações. “É um dos trabalhos mais difíceis que tivemos de enfrentar ao longo da história da igreja”, afirmou o estudante de Direito, Hércules Lucas Silveira, 24, um dos quinze  membros da Congregação Mariana que prestou auxílio no primeiro dia de celebração presencial na  Paróquia de São Sebastião, no último sábado.

“Muitas vezes, temos que limitar o número de pessoas e isso está relacionado com a questão da caridade e do amor ao próximo”, explicou Silveira.

E entre os trabalhos da equipe da igreja estão: separar os fiéis, borrifar álcool em gel nas mãos dos visitantes na entrada e saída do templo e antes da oferta da Eucaristia, único momento em que a retirada das máscaras de proteção é autorizada.


Uso de máscaras pelos fiéis é obrigatório para poder entrar nas igrejas. Foto: Winnetou Almeida

Outras equipes da Congregação prestam assistência nas celebrações da Casa da Criança e da capela do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro de Manaus. Fundada em 1.563, a Congregação Mariana atua como um braço direito da Igreja Católica, auxiliando o pároco em diversas atividades.

“Acredito que o principal ensinamento desse período (da quarentena) é que o nosso coração deve ser o templo para glorificar e louvar a Deus dentro de nós mesmos, independente de estarmos impossibilitados de frequentar presencialmente a igreja. Tivemos de cultivar esse templo em nosso coração e isso é um fruto que vai perdurar. Além de assistir às missas, procurei fazer as leituras bíblicas e orações junto com a família”, afirmou a servidora pública, Júlia Dias de Almeida, 31.

Para frei Paulo Xavier, as normas de segurança nas missas presenciais são essenciais. “As pessoas têm que levar em conta que é uma situação nova. Ainda não existe vacina para a Covid-19 e a doença não está controlada”, disse.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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