Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
INTIMIDAÇÃO

‘Me senti coagida’ diz viúva de advogado sobre depoimento à Polícia

Fabíola Rodrigues é a primeira testemunha de acusação a ser ouvida no julgamento do delegado de Polícia Civil Gustavo Sotero. A dentista relatou ter se sentido intimidada ao prestar depoimento no 19º DIP



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27/11/2019 às 16:25

A dentista Fabíola Rodrigues, ex-mulher do advogado Wilson Justo, morto no dia 25 de novembro de 2017, afirmou a Claudio Dalledone, principal advogado da equipe de defesa do delegado de Polícia Cívil, Gustavo Sotero, que se sentiu intimidada e coagida no seu primeiro depoimento prestado no 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Ao iniciar a sessão desta quarta-feira (27), após um breve recesso de 40 minutos, Dalledone perguntou a Fabíola se a vítima achou justo o soco desferido pelo advogado Wilson Justo contra Sotero. "Sim, achei", respondeu rapidamente a dentista. "Mas no depoimento no 19° DIP, a senhora disse que não achou justo, está correto?", retrucou o advogado.



Após isso, Dalledone apresentou o Inquérito Policial (IP) do caso onde, segundo ele, consta a resposta negativa da dentista. "No documento diz 'havia motivo justo para Wilson ir até Sotero para deferir um soco?’, e perante três delegados e um escrivão, a senhora disse que não havia", pontuou o advogado.

"Lá eu me senti coagida e intimidada. Assim como estou me sentindo agora, falando com o senhor. Na delegacia, eu comentei com a minha advogada sobre isso. Ela disse que não daria em nada, que como Sotero era delegado, os outros o estavam defendendo", declarou Fabíola.

Viu ou não?

Dalledone, assim como a Promotoria, utilizou o vídeo das câmeras de segurança do circuito interno da casa noturna onde o crime ocorreu para dar seguimento à sessão. Ao ver as imagens, Fabíola afirmou que Sotero projetou o corpo para frente e com a arma em mãos atirou em Wilson. Segundo a dentista, Sotero "caçava" Wilson para matá-lo.

"A senhora ainda não tinha visto o Sotero antes do soco?", questionou Dalledone. "Não. Eu só notei a presença de Sotero quando Wilson me alertou que estava me olhando", declarou Fabíola. Na versão apresentada horas antes para a Promotoria, a dentista afirmou que notou o delegado a observá-la, porém, negou ao marido.

Tensão

Os ânimos da família de Wilson Justo ficaram exaltados por duas vezes, quando o juíz Celso de Paula solicitou silêncio dos presentes no plenário. "Aqui, só quem pode se manifestar são as partes envolvidas", frisou o magistrado.

Em outro momento, Fabíola e Dalledone solicitaram mais respeito no trato um com o outro. "O senhor está me pressionando a dizer coisas que eu não tenho certeza. Me sinto induzida. Coagida. Eu quero mais respeito", pediu Fabíola.

"Eu não sou seu inimigo. Estou aqui fazendo o meu trabalho. Também estou consternado com a situação. Um colega advogado foi morto. Mas nesse momento eu faço as perguntas e a senhora responde. Eu mantenho a minha postura, lhe respeito, e também quero ser respeitado", ponderou Dalledone.

O primeiro dia de julgamento segue até às 20h30. Primeiramente, três vítimas seriam ouvidas, no entanto, segundo o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) somente Fabíola será ouvida nesta sessão.


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