Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
na pandemia

Estado do Amazonas tem apenas 5,5% de trabalho remoto

Dados da PNAD Covid mostram que o índice de trabalho remoto na região Norte é o mais baixo entre as regiões do Brasil



trabalho_801277D8-BC67-45F2-A7C8-B5A38C7E42EE.JPG A eficiência de trabalhar remotamente depende do nível da conectividade com a internet: quanto maior a cobertura da rede e a velocidade da conexão, melhor para as empresas e os profissionais. Foto: Junio Matos/24/jul/2020
01/09/2020 às 06:49

O servidor público da área de tecnologia Gabriel Faraco, 23 anos, relata que enfrentou uma série de dificuldades para conseguir fazer home office. Gabriel faz parte dos 61 mil trabalhadores do Amazonas que trabalharam de forma remota, ou seja, de 5,5% de 1,11 milhão de pessoas que não precisaram se afastar de suas funções por conta da pandemia. O total de trabalhadores empregados é de 1,29 milhão de pessoas.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) - COVID 19, referente ao mês de julho, divulgados no último dia 20, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



“Primeiramente, meu notebook foi roubado em maio, de dentro de casa, pela janela. Quando avisaram no trabalho que precisaríamos fazer home office eu mandei o boletim de ocorrência como respaldo informando que estava sem computador para trabalhar em casa”, compartilhou Gabriel.

A situação acabou atrapalhando os colegas de trabalho de Gabriel, que não podiam contar com a sua ajuda todos os dias. “Tive que me adaptar a utilizar internet apenas através do celular, o que me fez passar dias e dias sem produtividade”, relatou.

Ele também encontrou dificuldades para comprar um novo notebook, pois, segundo ele, estavam com “preços absurdos”. “Pouco menos de um mês comprei um notebook usado. Ainda estou me adaptando”. acrescentou.

Assim como Gabriel, a estagiária de direito Sádyna Reis também enfrentou dificuldades. “No meu trabalho parecia que eles achavam que todo mundo tinha estrutura e condições para trabalhar em home office”, contou.

“Computador, internet... Tive problema com tudo isso! Eu não tinha uma internet boa para sustentar o sistema do meu trabalho. Passei um mês tentando me adaptar quanto a isso, tentando modificar esta questão, mas era difícil”, compartilhou.

O índice de pessoas que conseguiram trabalhar em home office no país durante a pandemia pode ser um novo indicativo de desigualdade social, uma vez que na região Norte a conectividade de internet é mais precária e instável que as demais regiões. A condição reflete na instabilidade para quem precisa trabalhar remotamente.

A pesquisa do IBGE mostrou que 8,6 milhões de trabalhadores atuaram em trabalho remoto no Brasil, o número equivale a 11,5% da população ocupada. Neste universo, 31,1% têm ensino superior completo ou pós-graduação.

Internet

Os dados mais recentes sobre a questão do acesso à internet no Brasil foram divulgados em abril deste ano pelo IBGE e são referentes ao ano de 2018.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede.

De 2017 para 2018 o acesso à internet aumentou no país passando de 69,8% para 74,7% da população. Ainda existem 25,3% sem acesso. Em áreas rurais, o índice de pessoas desconectadas é ainda maior que nas cidades, chega a 53,5%. Em áreas urbanas é 20,6%.

Entre as que não têm acesso à rede, quase metade (41,6%) diz que o motivo para não acessar é não saber usar e uma a cada três (34,6%) diz não ter interesse. Para 11,8% delas, o serviço de acesso à internet é caro e para 5,7%, o equipamento necessário para acessar a internet, como celular, laptop e tablet, é caro.

Análise: Denise Kassama, vice-presidente do Conselho  Federal de Economia (Cofecon)

Não é de hoje que o Brasil é um país desigual. Somos um dos países onde a desigualdade social é mais gritante no mundo. Ou seja, há um grande distanciamento entre ricos e pobres.

Os dados só mostram o que já era claro para muita gente. É complicado, porque para fazer home office o funcionário tem que ter internet, equipamento bom e não são todas as atividades que são passíveis de fazer de forma remota. Além disso, nem todo empregador tem condição de oferecer tudo o que funcionário precisa.

Ficou muito claro essa questão da desigualdade pelo número de pessoas que conseguiram se encaixar na modalidade. Tem todo um universo de pessoas não conseguiram. Isso revela uma pobreza que foi acentuada em função da covid-19. Nós somos privilegiados por conseguir trabalhar nessa pandemia e, quem não conseguiu, seguramente ficou mais pobre.

Teletrabalho agora é tendência

A pesquisa “É Possível conciliar o Home com o Office?”, do ISE Business School, revelou que se antes da pandemia, 65% das empresas nacionais e familiares eram reticentes em implementar o home office e, uma vez que tiveram que aderir, mais de 80% gostou da modalidade de teletrabalho. Isso indica uma tendência que veio para ficar e expõe uma mudança cultural relevante nas empresas e na maneira de perceber a relação de trabalho e produtividade.

Outra pesquisa, divulgada no início de julho deste ano, feita pela Sap Consultoria em Recursos Humanos, mostra que os ramos mais interessados no modelo de trabalho home office são o de TI/telecom e serviços.

Especialmente nas grandes cidades, o trabalho remoto é uma boa alternativa para os colaboradores manterem bem a produtividade.

As razões principais são: melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e mobilidade urbana - Ex: rodízio de veículos, diminuição do tempo no trânsito.

Alto índice de desocupação

O levantamento do IBGE apontou que, no Amazonas, tinham 1,29 milhão de pessoas ocupadas em julho.  Destes 463 mil (35,8%) eram pessoas que trabalhavam por conta própria, 320 mil (24,8) pessoas ocupadas no setor privado e com carteira assinada e 147 mil (11,4%) eram militares e servidores estatutários.

Das pessoas que mantiveram ocupação, 260 mil pessoas estavam ocupadas na administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais; 207 mil pessoas ocupadas em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura; 180 mil pessoas ocupadas no comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e 122 mil pessoas na indústria geral; sen do que desses, 101 mil pessoas na indústria de transformação.

Ainda de acordo com a PNAD COVID19, a população do Amazonas na força de trabalho eram 1,56 milhão. Entre esses, 1,29 milhão eram pessoas ocupadas (empregadas) e 265 mil desocupadas (desempregadas). São consideradas força de trabalho, pessoas com 14 anos ou mais.

Repórter de A Crítica

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