Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
COLETIVA

Daniela Assayag nega envolvimento do marido em compra de respiradores

Secretária de Comunicação afirmou que empresa envolvida na venda de respiradores ao Estado foi oferecida ao marido dela, mas que negócio não chegou a ser concluído



WhatsApp_Image_2020-07-01_at_16.10.42_91579B9E-8A22-4D41-9FA4-2C7F227C91D0.jpeg (Foto: Aguilar Abecassis)
01/07/2020 às 16:30

Em coletiva à imprensa na tarde desta quarta-feira (1º), a secretária de Comunicação do Amazonas, Daniela Assayag, disse estar à disposição para prestar qualquer esclarecimento sobre as acusações que têm sido alvo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instaurada na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam),  sobre o acusações de que teria envolvimento indireto na compras de respiradores.

Na ocasião, ela declarou que o marido, Luiz Carlos Avelino Jr, demonstrou interesse em comprar parte da empresa Sonoar Equipamentos,  mas não chegou a fechar o negócio.



Ainda na manhã desta quarta-feira (1º), o presidente da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado estadual Péricles Nascimento (PSL), acusou  envolvimento indireto da secretária de Comunicação no  superfaturamento de compras de respiradores.  De acordo com Péricles, o marido de Daniela, o médico Luiz Carlos Avelino Jr, era sócio da Sonoar Equipamentos, empresa envolvida na venda dos respiradores. Conforme o deputado, Avelino tinha  50% das cotas societárias desta empresa. De acordo com os dados abaixo constam do processo no Superior Tribunal de Justiça, “A Sonoar adquiriu a totalidade dos equipamentos vendidos por R$ 1.092.000,00 (1 milhão), vendeu à FJAP por R$ 2.480.000,00 (R$ 2,4 milhões) e esta por vez vendeu para o governo do amazonas por R$ 2.976.000,00 (R$ 2,9 milhões)".

Em coletiva à imprensa na tarde desta quarta-feira, a secretária disse que a Sonoar Equipamentos chegou a ser oferecida ao marido dela, que demonstrou interesse em comprar parte da empresa, mas, segundo Assayag, o negócio não chegou a ser fechado. 

"Ele chegou a pagar a primeira prestação de compra [da empresa], mas, no início de maio, foi feito o distrato [encerramento de um contrato] porque ele perdeu o interesse de ter o próprio nome ligado a uma empresa. Por isso, não houve nenhum benefício econômico, nem a mim, nem a ele, dessas compras", contou, visivelmente irritada com as notícias divulgadas nos últimos dias.

Ex-secretário

Na última segunda-feira (29), em depoimento à CPI da Saúde, o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, declarou que era contra a compra dos 28 respiradores por mais de R$ 2 milhões, contudo, foi convencido a autorizar a aquisição dos mesmos.

"Teve uma segunda reunião, onde foi feita uma defesa de que esses respiradores seriam equivalentes para o tratamento de pacientes clínicos. E aí, então, teve a minha anuência (consentimento) nesse sentido da compra. Nessa reunião também estava presente a secretária de comunicação, Daniela Assayag. Ela queria saber como estava o processo de compra dos respiradores e, naquela ocasião, ela participou da reunião toda", relatou ele, que foi secretário de saúde no governo Wilson Lima de 28 de março de 2019 a 7 de abril deste ano.

Sobre essa reunião citada pelo ex-titular da Susam, Assayag contou que "houve uma distorção do depoimento do ex-secretário", pois é absolutamente corriqueiro a participação dela em reuniões governamentais, bem como o contato constante com todos os secretários do governo estadual.

"Temos, enquanto Secretaria da Comunicação, o dever de levar esclarecimentos à sociedade sobre todos os setores do governo. Para eu saber orientar e planejar a minha equipe, tanto de comunicação jornalística quanto publicitária, eu preciso saber das informações de dentro das secretarias. Isso pode ser constatado desde o início do governo [Wilson Lima]. Eu faço reuniões com os secretários e os recebo na secretaria pela qual eu respondo", contou ela.

"Nessa reunião em especial, havia uma pressão a respeito das ações de enfrentamento do governo durante a pandemia da Covid-19.Essas respostas nem sempre vinham rapidamente, por isso, eu e muitos da minha equipe participamos várias vezes dessas reuniões. Por isso criamos mecanismos para responder as demandas [dos jornalistas] de forma rápida. Ao contrário do que foi dito, o ex-secretário [Rodrigo Tobias] não foi convocado por mim a participar dessa reunião para tratar de compra de respiradores. Eu estava lá para saber das providências do governo sobre pagamento de salário dos profissionais de saúde, falta de EPis nos hospitais, falta de remédios e respiradores para dar respostas rápidas às demandas dos jornalistas", disse.

A CPI da Saúde teve as atividades suspensas pela Justiça em diversas ocasiões, porém, foi instaurada na Assembleia no dia 14 de março. Desde então, a CPI tem investigado todos os gastos do Governo do Amazonas durante a pandemia da Covid-19.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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