Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
PERIGO À ESPREITA

Baixa taxa de vacinação no AM pode ‘ressuscitar’ doenças já erradicadas

Doenças como rubéola, poliomielite e sarampo, já consideradas erradicadas, podem ressurgir em meio a uma queda nas campanhas de vacinação e pelo surgimento de campanhas antivacinais



1796530_616D7919-137C-43C2-9235-E2A3B2AF4B8C.jpg Foto: Euzivaldo Queiroz
14/10/2020 às 15:31

Após certificação de eliminação da rubéola no Brasil, emitido em 2015 pela a Organização Mundial da Saúde (OMS) ao Ministério da Saúde (MS), a rubéola pode retornar ao país, a exemplo do surto de sarampo ocorrido no Amazonas entre 2018 e 2019. O alerta está sendo feito por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), chamando a atenção para a baixa cobertura vacinal da população no país, caso que pode também refletir a situação do Amazonas.

Levantamento do jornal Folha de São Paulo, a partir de dados do Programa Nacional de Imunizações do MS, revela uma queda na cobertura de vacinas tomadas por crianças de até um ano. Além da rubéola, as doses contra doenças como sarampo, poliomielite, tuberculose, meningite, hepatite B, também tiveram pouca procura.



Em 2019, o levantamento afirma que este foi o primeiro ano em que nenhuma das nove vacinas recomendadas para as crianças de até um ano atingiu a meta de vacinação, situada entre 90 e 95% da população. Por causa da pandemia do novo coronavírus, a situação pode não melhorar em 2020.

No Amazonas, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o percentual de aplicação de vacinas em crianças em Manaus de janeiro a agosto de 2020 foram: febre amarela (58%); pentavalente (61%), poliomielite (63,06%), hepatite A (66,98%), meningite C (73,63%), rotavírus (74,33%), tríplice viral D1 (74,6%), pneumocócica (82,12%), BCG (100%).

A FVS-AM informou ainda que dessas vacinas, a tríplice viral D1 e hepatite A são direcionadas à população de um ano de idade. As demais vacinas são direcionadas a menores de um ano de idade. Os dados são gerenciados pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) que, no Amazonas, é coordenado pela própria Fundação de Vigilância em Saúde.


Foto: Euzivaldo Queiroz

A infectologista Ana Galdina Mendes, comenta que um dos fatores da baixa taxa de vacinação se dá por conta do baixo estímulo de campanhas educativas.

“Essa questão da queda da taxa de vacinação está diretamente relacionada com a queda das campanhas educativas que vem acontecendo. Se observar cinco ou oitos anos atrás, a gente estimulava muito mais a vacinação. E essa campanha educativa, essa coisa de falar com a população diretamente por via televisiva ou via rádio, aquela campanha mais braço-a-braço que se fazia com agentes de saúde, caiu muito. Com essa queda de campanhas educativas, nós vimos a taxa de vacinação cair também. Na prática é assim, nós não estamos estimulando a população à vacinação. Já venho observando isso a algum tempo”, comentou Ana Galdina.

Retorno de doenças erradicadas

Ana Galdina ressalta que além da rubéola, doenças como poliomielite podem voltar a ter casos de incidência no Amazonas.

“Com certeza a queda dessa taxa de vacina, vai trazer [o retorno de doenças]. Esta é uma afirmação que podemos fazer para um futuro próximo. Temos essas doenças erradicadas, que são terríveis na infância como a poliomielite que deixa sequelas muito graves. Você tem uma criança que previamente andava, brincava, que depois da poliomielite fica paraplégica, isso realmente é muito doloroso.

Ana Galdina comenta ainda que os movimentos que se opõem à vacinação contribuem para queda da cobertura vacinal no país.

“Esses movimentos anti-vacinais podem fazer com que essas doenças podem voltar, como a “polio”, a coqueluche, a difteria. No Amazonas, o tétano ainda é uma realidade nossa ainda. Eu acho isso um absurdo, em 2020, temos atendido crianças com tétano. O surto de sarampo está aí para tomar como exemplo. O Brasil, enquanto política de saúde, deve repensar este planejamento de vacinação”, concluiu a infectologista.


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