Sábado, 04 de Julho de 2020
CIDADES FLORESTAIS

Miniusina de óleos vegetais gera renda para 300 famílias no AM

Empreendimento feito pelo Idesam, por meio do Fundo Amazônia, pretende agregar valor à produção local e trazer melhorias econômicas para a comunidade da Reserva do Uatumã



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24/01/2020 às 07:19

O diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Carlos Koury, disse que a inauguração da miniusina de beneficiamento de óleos vegetais amazônicos, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, vai agregar valor à produção local e trazer melhorias econômicas na comunidade.

A declaração foi dada na tarde dessa quinta-feira (23), durante a inauguração do empreendimento, no município de São Sebastião do Uatumã, distante 250 quilômetros de Manaus.



A miniusina faz parte do projeto Cidades Florestais do Idesam. Com investimento de R$ 400 mil, oriundos do Fundo Amazônia, a miniusina é a primeira de duas novas estruturas construídas pelo projeto, que também já promoveu melhorias em outras três usinas já existentes nos municípios de Carauari, Silves e Lábrea.

Com a aquisição do empreendimento e a capacidade de extração de óleos da floresta, os comunitários de Uatumã tem a expectativa de uma receita média de R$ 850 mil.

"Você sair da venda de uma semente, que entregaria na cidade a R$ 2 o quilo, e poder entregar um óleo a R$ 100 ou R$ 500 o quilo, é um resultado que a gente almeja para Uatumã", afirmou Carlos Koury.

Segundo o diretor do Idesam, a estrutura vai beneficiar diretamente mais de 300 famílias, diversificando a fonte de geração de renda e fortalecendo o empreendedorismo social na região.

 "A gente traz um conceito diferenciado de uma usina de uso múltiplo. Eu posso retirar óleos essenciais, resinas e posso também fazer manteigas , que são óleos mais graxos, para que mercados diferenciados sejam atendidos", disse o diretor.

O evento contou com a participação de representantes do Fundo Amazônia, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de secretarias do  Governo do Estado voltadas para o investimento no setor primário.

O superintendente da área de gestão pública e socioambiental do BNDES, Júlio Leite, ao observar a miniusina, disse que os recursos do Fundo Amazônia estão sendo bem empregados. 

"O objetivo do Fundo é ajudar as populações ribeirinhas a tentarem alavancar recursos para o sustento, protegendo a floresta ao mesmo tempo. A parte de florestas é prioridade no plano estratégico do banco nos próximos três anos" afirmou.

De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira, todas as unidades de conservação estaduais são administradas pela Sema e acrescentou que a secretaria investe no fomento de tecnologias na regiões de desenvolvimento sustentável. 

"Esse é um modelo onde você tem a exploração dos ativos florestais não-madeireiros , no caso dos óleos, gerando renda direta para a comunidade. Nós queremos que essas áreas de conservação sejam também áreas produtivas", disse o secretário.

Sobre a miniusina 

A produção da usina visa atender principalmente o mercado de insumos para o setor de cosméticos, ao beneficiar óleos de buriti, breu, priprioca, andiroba e copaíba, além de manteigas de cupuaçu e tucumã.

A indústria tem uma capacidade produtiva mensal de 3 toneladas  de óleos fixos, além de 90 litros de óleos essenciais.  

Cidades Florestais

Iniciado em 2018, o projeto Cidades Florestais tem como propósito promover a economia florestal de municípios do interior do Amazonas. Esta promoção se dá por meio do fomento a cadeias produtivas florestais, madeireiras e de óleos vegetais, com organizações de produtores nos municípios: Apuí, Carauari, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Silves, Lábrea.

“A Bioeconomia no interior da Amazônia deve ser vista pelo potencial do uso múltiplo da floresta, e o Cidades Florestais estrutura associações para produção diversificada de madeira, óleos, essências e manteigas vegetais amazônicos”, destaca Carlos Koury, Diretor Técnico do Idesam.

Nos primeiros anos de atividades, o projeto conseguiu viabilizar a comercialização de mais de 8 toneladas óleos vegetais por comunidades extrativistas, com um faturamento superior a R$ 400 mil, beneficiando mais de 90 produtores. Um potencial de mais de 300 árvores para uso não madeireiro já foi mapeado. Para uso madeireiro, um total de 5,2 mil hectares em áreas produtivas foi licenciado para manejo florestal comunitário, com apoio do projeto apenas na RDS do Uatumã. Ao todo mais de dez mil árvores já estão registradas no aplicativo.


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