Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
DIA DA MULHER

Ícone da modalidade, Daniely Castilho fala dos desafios da figura feminina no fisiculturismo

Em um esporte predominantemente masculino, a amazonense atingiu o topo da modalidade e chegou a conquistar o título do 'Arnold Classic', um dos principais eventos do fisiculturismo, em Ohio, nos Estados Unidos



WhatsApp_Image_2020-03-08_at_19.57.45_4F588975-EDFC-4F1F-9A6A-E4671A8EB84D.jpeg Foto: Acervo pessoal
08/03/2020 às 20:32

“Passei por julgamentos quando comecei e hoje sou enxergada de outra forma. Hoje me admiram e me veem como uma inspiração”. É assim que Daniely Castilho, uma das principais atletas do fisiculturismo brasileiro, define sua trajetória na modalidade. Da primeira competição em 2015, aos prêmios no Arnold Classic e Mr. Olympia - maiores competições do universo da musculação -, a amazonense é referência, também, na questão da inspiração.

Dani fala sobre os desafios enfrentados no início da carreira, a rotina de treinamentos e trabalho seguida ‘no limite’, a forma como lida com o reconhecimento e as metas para o futuro. Mulher e atleta de elite, a amazonense está acostumada a superar as dificuldades.




Em 2020, Dani se prepara para ir mais uma vez ao Mr. Olympia. Foto: Acervo pessoal

O início 'furacão'

Com 15 anos de idade, Dani erguia pesos pela primeira vez e iniciava a rotina de treinos. A disciplina para seguir os horários e a alimentação fez com que um amigo visse o talento necessário para trilhar o caminho das competições de fisiculturismo. “Sempre gostei desse mundo de academia, me identifiquei mesmo com a musculação. Minha primeira competição foi em 2015. Um amigo, que já era atleta, me fez a proposta de competir, sabendo que eu já tinha uma rotina bem regrada, e topei”, relembra Dani, que no período de um ano, conquistou campeonato regional, nacional e mundial.

“Eu virei profissional rápido. Isso é muito difícil hoje em dia. Cheguei como um ‘furacão’ e começaram a me admirar por conta disso. O ápice foi conquistar o Arnold Classic, quando recebi o prêmio do Arnold Schwarzenegger, dono do evento. Além de mim, só uma pessoa no Brasil tem esse título. Foi muito importante, assim como ficar no top 3 do Mr. Olympia”, destaca a fisiculturista, que foi campeã do Arnold Classic (2017).

Contra a desinformação

Em um esporte predominantemente masculino, foi preciso que Daniely superasse alguns olhares de desconfiança. Ela mesma diz que não sentiu atitudes preconceituosas, mas que por conta do esporte ainda ‘engatinhar’ no Brasil, a falta de conhecimento em relação às categorias femininas, por exemplo, foi adversária no início.


A amazonense iniciou a competir com no ano de 2015. Foto: Acervo pessoal

“Na época que comecei o universo do fisiculturismo era mais restrito para mulheres. Tanto que foi até difícil eu me adequar a uma categoria porque eram poucas. Então não tinha nem preconceito, mas falta de conhecimento. Prefiro falar assim. Mas evoluiu e a cada ano eu tenho mais orgulho de ter sido uma das primeiras atletas do Amazonas a ter esse destaque e esse reconhecimento”.

Atingindo o topo da modalidade, foi natural que Daniely se tornasse uma inspiração - não só para mulheres. O posto de inspiração é uma das motivações dela na rotina de três treinos por dia, que divididos com o período do trabalho. “Incentivo as pessoas a terem um estilo de vida saudável. Tenho muitos seguidores, pessoas que buscam melhorar fisicamente e evoluir mentalmente. Treinar e fazer dieta é relativamente fácil, só que a mente boicota antes. O fisiculturismo é mais mental. Isso acaba nos fortalecendo”, concluiu a atleta amazonense.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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