Terça-feira, 14 de Julho de 2020
HISTÓRIA

Há exatos 15 anos, Grêmio Coariense quebrava escrita no Campeonato Amazonense

Clube de Coari foi o primeiro do interior do estado a ser campeão do Barezão. Título veio após vitória por 3 a 2 sobre o Nacional, no estádio Vivaldo Lima, o saudoso Vivaldão, e 'abriu portas' para outros interioranos



gr_mio_coariense_76DF9FF6-7D41-47CD-B651-F7E3C2119FD2.jpg Clube ergueu o 'caneco' do Barezão no saudoso Vivaldão. Foto: Arquivo
10/04/2020 às 13:49

“Preto, azul e branco são as cores do meu pavilhão. Hoje canto com alegria em ver meu Grêmio campeão”. O trecho final do hino do Grêmio Coariense nunca foi tão cantado quanto no dia 10 de abril de 2005. Há exatos 15 anos, a equipe de Coari conquistava o Campeonato Amazonense e se transformava no primeiro clube do interior do estado a levantar a taça do Barezão. No estádio Vivaldo Lima, o saudoso Vivaldão, o Gavião da Floresta derrotara o Nacional por 3 a 2.

A conquista do troféu foi o ápice de uma vida profissional curta, mas meteórica da equipe de Coari. Vencedor no futebol amador desde sua criação, em janeiro de 1977, o Grêmio Coariense demorou a entrar no caminho da profissionalização. Após uma década de 90 com vários títulos fora do futebol ‘de verdade’, o Tricolor de Coari decidiu que iria disputar à vera. O início da vida profissional veio em 2003, mas teve seu fim logo em 2011.




Em Coari, equipe surgiu em janeiro de 1977. Foto: Reprodução/Futestasticam

Nesta reportagem especial, o CRAQUE relembra a data marcante da primeira conquista do Barezão por um time do interior do Amazonas, trazendo análises e lembranças de personagens envolvidos naquela final. Vale lembrar que o título, além de ser histórico para o Gavião, abriu o caminho para outros times do interior que também levantaram o troféu do Estadual nos anos seguintes, como Holanda (2008), Penarol (2010 e 2011) e Princesa do Solimões (2013).

Gavião dominante

Após dar entrada com toda a documentação necessária para se profissionalizar em 2003, a primeira participação do Grêmio Coariense no Campeonato Amazonense - e logo na elite - aconteceu em 2004. E o que esperar de um time ‘recém-promovido’ do futebol amador? Pois o vice-campeonato estadual para o São Raimundo - principal time baré no início dos anos 2000 - provava que o primeiro título de um clube do interior do estado era questão de tempo. Em 2005, foi de ‘ponta a ponta’.

Disputado em pontos corridos, o primeiro turno do Barezão era da equipe que somasse mais pontos. Pois em sete jogos, o ‘Primeiro Gavião’ somou 18, com seis vitórias e uma derrota. No segundo turno, já disputado em mata-mata, o Grêmio Coariense também fez bela campanha e foi à final contra o Nacional. Se vencesse, o time do interior já seria campeão de forma antecipada por ter vencido os dois turnos.

Após ficar duas vezes à frente do placar com gols de Juliano César, o Gavião chegava ao final da partida empatando em 2 a 2 - Diego e Da Costa marcara para o Leão. O resultado dava o título para o Naça, que teria a chance de levar mais um título amazonense no mesmo duelo daquele dia. Porém, aos 44 minutos, Anderson, que entrou no lugar de Juliano César, recebeu passe de Marinho e marcou o gol do título histórico para Coari e todo o interior do estado.

Treinador do Gavião da Floresta naquela final, João Carlos Cavalo relembra as dificuldades para alcançar o inédito título. “O campeonato estava muito complicado. São Raimundo investia muito por conta da Série B, Nacional e Princesa tinham bons times. Todos, praticamente, muito fortes. O momento que mais me marcou daquela decisão foi o final. Começou algo estranho por parte da arbitragem, que expulsou três jogadores nossos quando a partida estava 2 a 2”, relembrou Cavalo, que atualmente comanda o time feminino do Iranduba.

Juventude e experiência

A final colocou frente a frente jogadores em lados opostos da carreira de jogador. Enquanto para o goleiro Rascifran, do Grêmio Coariense, o ano de 2005 marcava a entrada no futebol profissional, o zagueiro Ney Júnior, do Naça, era a experiência necessária em uma grande decisão. Quem levou a melhor foi o defensor, que mesmo expulso no final da partida, pôde comemorar a conquista.


Depois do Grêmio Coariense, Rascifran se tornou ídolo no Princesa do Solimões. Foto: Antônio Assis/FAF

“No Grêmio Coariense foi onde tudo começou na minha carreira. Aquela final foi um momento de alegria, me sinto lisonjeado de ter feito parte daquele elenco vitorioso. Foi uma satisfação imensa ter jogado pelo Gavião. Fizemos história e estamos marcados. Parece que foi ontem”, recordou o goleiro manacapuruense. Para o zagueiro Ney, mesmo 15 anos depois, um lance não sai da cabeça.

“Lembro de uma falta que o Diego (zagueiro do Nacional) cobrou. O jogo estava 2 a 2, o empate já era nosso. Ele bateu e a bola conseguiu bater nas duas traves, passando em cima da linha de gol. Foi por muito pouco. No lance seguinte, o Grêmio fez o gol e levou o título. Mas faz parte do futebol”, lamentou o zagueiro. Um fato curioso do lance é que Rascifran já não estava no gol por ter sido expulso, mas sim Edson ‘Trator’, que ocupou a vaga do companheiro.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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