Terça-feira, 27 de Outubro de 2020
UM ANO

Em papo exclusivo, Welington Fajardo celebra um ano à frente do Manaus

Treinador falou sobre as primeiras impressões na chegada, os desafios do histórico ano de 2019, a dificuldade de conviver longe da família a até sobre a comida favorita em terras barés



fajardo_festa_289A455B-042D-4438-9C6F-43F0F02FD623.jpg Foto: Janailton Falcão/Manaus FC
22/02/2020 às 07:33

O ano era 2019. O mês, fevereiro. Após iniciar a temporada decepcionando - com eliminação na Copa do Brasil para o Vila Nova e tropeços no Campeonato Amazonense -, o Manaus demitia João Carlos Cavalo e ia ao mercado em busca de um substituto. A solução tinha sotaque mineiro, era dono de um bom trabalho no Patrocinense-MG à época e, por conta das peculiaridades do futebol, ‘deu sopa’.

Os caminhos se cruzaram e, há um ano, Welington Fajardo treinava o Gavião do Norte pela primeira vez. Foram poucas decepções em 365 dias que trouxeram um título estadual e um histórico acesso à Série C do Brasileiro. Em 40 jogos comandando o time esmeraldino, foram 24 vitórias e apenas quatro derrotas. Passagem que mereceu uma conversa exclusiva com o CRAQUE, detalhando em linha do tempo os capítulos da ‘missão mineira’ em terras barés.



Você era um treinador que tinha o futebol mineiro como mercado principal - até por ter nascido em Minas Gerais. Qual foi a sua reação ao ouvir a proposta do Manaus e quem intermediou o contato?

Realmente, tive muitos trabalhos em Minas Gerais. Quando vim para cá, estava na quarta colocação com o Patrocinense, a melhor campanha do interior. Mas depois de uma derrota para o Vila Nova, a diretoria decidiu trocar toda a comissão técnica. Fiquei muito aborrecido com aquilo e acabei recebendo um contato do Ângelo Márcio (gerente de futebol do Manaus), com quem já tinha trabalhado no Uberlândia. Por eu gostar de desafios, aceitei e encarei. A vida é feita de desafios.


Treinador teve várias passagens pelo Uberlândia-MG. Foto: Assessoria/UEC

Depois de chegar, qual foi a primeira impressão que você teve tanto do clube quanto do futebol amazonense?

Como estava com muita vontade de vencer, precisei passar por cima de muitas barreiras. Situações que ainda não tinha visto. Não podemos negar que a Federação de Minas Gerais está bem mais ranqueada do que a Amazonense, existe uma organização maior. Mas pela minha experiência, sabia que eu tinha que me adaptar ao lugar, e não o lugar a mim.

Me retirei um pouco do papel de treinador e passei a observar as pessoas. Percebi que os dirigentes (Luis Mitoso e Giovanni Silva, presidente e vice-presidente, respectivamente) estavam muito bem intencionados. Queriam que o clube crescesse e eu queria estar junto para contribuir.

Vi um grupo de jogadores que tinha muita qualidade, que não devia nada ao nível do Sudeste, mas que não entendia o jogo na parte tática. Introduzi métodos que aqui ainda eram usados e fui aceito pelos atletas.

O jogo contra o Caxias estabeleceu recorde de público da Arena. Como foi a preparação e tudo o que envolveu aquele jogo?

Tenho que ressaltar o núcleo de análise de desempenho (que é coordenado pelo filho do treinador, Lucas Fajardo). Foi acompanhado tudo do Caxias, estudamos e sabíamos tudo do time deles. Quem poderia entrar, que jogador fazia tal função, como atacaríamos. Graças a Deus, fizemos duas boas partidas. Lá, ainda vivemos um clima hostil. Nunca tinha visto isso, horroroso. Acamparam na frente do hotel, soltaram foguetes, não deixaram a gente dormir. Provocaram muito. Isso tudo foi motivação para nós. No jogo em si, o Evair foi uma peça muito importante, passando a jogar na lateral-esquerda na etapa final. Depois disso surgiram os gols.


Fajardo celebra vitória sobre o Caxias que deu o acesso ao Manaus. Foto: Janailton Falcão/Manaus FC

Com o acesso no bolso, era hora de brigar pelo título. Hoje, qual é o sentimento em relação àquela final contra o Brusque-SC? Há algo que você faria diferente?

Nós fomos muitos desfalcados para o joga da volta, em Manaus. No primeiro jogo, perdemos as duas principais peças, Hamilton e Rossini, por suspensão. Há de se ressaltar que lá ainda tomamos um gol muito irregular. Aqui, além dos desfalques, fizemos todas as substituições por lesão e cansaço, praticamente. No pênalti, só fomos errar nas alternadas. Hoje, penso que houve uma grande luta de todos, nos superamos e chegamos até onde foi possível.


Na final da Série D, o Manaus foi derrotado nos pênaltis para o Brusque. Foto: Janailton Falcão/Manaus FC

Quais são as expectativas para 2020? Primeiro em relação a um possível tetra no Estadual e depois à Série C.

Nas reuniões, planejamos que o Amazonense seria um laboratório, que serviria de base para ver nossas deficiências e, aí sim, contrataríamos pontualmente para a Série C. É um campeonato mais difícil. Estamos nesse momento, aproveitando o Estadual, conversando no dia a dia sobre as necessidades. Temos lacuna, principalmente, em jogadores de velocidade, que atacam o espaço. Temos que ter um grupo maior, com jogadores mais fortes, porque teremos jogos parecidos com o contra o Coritiba em todas as semanas.

O ano já começou com um grande desafio. Como foi enfrentar um time de Série A, na Copa do Brasil, e conseguir a classificação?

Nós ainda não temos a dimensão do que fizemos, honestamente. Um jogador de lá consegue pagar toda a nossa folha. Nível alto, comandados por um treinador (Eduardo Barroca) que sou fã. Só nos restava estudar. Fizemos um planejamento de usar as partidas do Amazonense para formar o melhor time, nas melhores condições, para encarar o Coritiba naquele momento. E quero destacar mais uma vez o nosso núcleo de análise de desempenho. Estudei tanto o time deles que na preleção eu já antecipava os ‘slides’ que eram passados pelo André (Lima, auxiliar técnico). Foi um trabalho difícil.

Falando agora sobre a pessoa Fajardo. Como tem sido a vivência em Manaus?

Quero até ressaltar isso: me apaixonei pela terra, muito mesmo. Tem sido uma experiência maravilhosa em Manaus e no Amazonas. A forma bem-humorada que o povo conduz a vida, a forma que sou tratado, com bastante respeito. Me identifiquei muito com a cidade e, tem sido um casamento perfeito.

Você vive longe da sua família, certo? Como é conviver com essa saudade?

Sou muito família, tenho 37 anos de casado, sou avô. Estou muito adaptado, mas não nego que o mais difícil é a saudade. Para você ter uma ideia, minha esposa está passando férias aqui em Manaus e antes de ela vir, falando com minha neta Manuela, perguntei dela qual presente ela queria que a avó dela levasse na volta. Manuela disse que o maior presente dela seria eu voltar. Essas falas quase ‘matam’ a gente. Quando estou lá, só fico com ela. Mas tento canalizar isso tudo no trabalho.


Em Manaus, Fajardo vive longe da família, que reside em Minas Gerais. Foto: Janailton Falcão/Manaus FC

Por fim, qual foi o prato típico daqui que você mais gostou e qual é o local que você mais gosta de ir em Manaus?

Aprendi a comer peixe. Hoje, eu adoro a banda de tambaqui. Parece um chocolate aquilo. Também gosto muito de ir nesses bares flutuantes. No último final de semana, do jogo do Iranduba, estive lá no domingo. É diferente, entrar de barco no meio da mata, ficar lá batendo papo o dia todo. É um passeio que gosto de fazer.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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