Quinta-feira, 01 de Outubro de 2020
decisão

Após divergências com diretoria, Fajardo afirma: ‘Estou saindo por causa dela'

Treinador detalha que atritos com cúpula esmeraldina se acumularam ao longo da trajetória. Críticas através da imprensa por conta do empate na estreia da Série C foram o estopim



photo5012739422055147656_5CE6C0F9-99FC-4DAD-96C2-4D5A8E11A6DE.jpg Foto: Janailton Falcão
10/08/2020 às 19:56

Na tarde desta segunda-feira (10), o Manaus FC comunicou o desligamento do treinador Welington Fajardo. Contratado no início do ano passado, o técnico mineiro conquistou o título do Campeonato Amazonense de 2019 e o vice-campeonato da Série D de 2019, na campanha que culminou com o histórico acesso do Gavião do Norte à Série C do Brasileiro. Ao CRAQUE, o comandante detalhou os motivos que ocasionaram a saída.

Segundo Fajardo, as divergências com a diretoria esmeraldina vieram se acumulando ao longo da trajetória no clube. A insatisfação, por parte da cúpula esmeraldina, com o resultado na estreia da Série C do Brasileiro - empate em 1 a 1 com o Vila Nova-GO, na Arena da Amazônia -, acabou sendo a gota d’água para o treinador.

“Por mais que estivesse entregando resultado, nunca estavam satisfeitos. Fizemos um jogo com 22 dias a menos de treinamento, o time cansou, não tem como. Eles não entendem que empatamos com um time que veio da Série B, que tem o triplo do orçamento. E o pior, críticas feitas não comigo, mas através da imprensa. Acho que esse resultado merecia mais respeito. Chega uma hora que você não aguenta mais. A gente cansa”, detalhou Welington Fajardo, que foi alvo de críticas por conta de mexidas feitas na partida.

“Disseram que nunca fiz a mexida do Caíque (lateral-esquerda) como extremo, uma inverdade. Não escutam a preleção. Sabia que o lado forte do Vila Nova-GO era o lado direito. Coloquei o Caíque ali para fechar aquele lado após o milagre do Jonathan. Estou muito cansado desses atritos com a diretoria. Estou saindo por causa dela mesmo, sinceramente. Estou aqui até hoje pelo carinho que a torcida tem, o convívio com os atletas... Mas de onde precisava de mais apoio, não tive”, completou Fajardo.

Um dos episódios que demonstraram as divergências entre diretoria do Manaus e Welington Fajardo foi a saída do atacante Diogo Dolem. Segundo a cúpula esmeraldina à época, o desligamento foi feito com aval do treinador. A informação foi negada pelo próprio. “Estou dando treino ao Dolem e do nada chegam e dizem que vão dispensar. Por que não dispensaram antes de começar a treinar? Ao invés de assumirem, jogam para cima de mim, colocam na minha conta”, explicou o técnico.

Sequência de time e da carreira

O desligamento, oficialmente, foi feito na manhã desta segunda-feira, em reunião com a diretoria do Manaus. O encontro, segundo o comandante, foi marcado por cobranças e questionamentos da cúpula esmeraldina. “Foi um desgaste muito grande. Sinceramente, não fui à reunião para chegar num acordo para sair, mas chegou em um ponto que o caldo entornou. Estou muito cansado, de tudo. Não há reconhecimento. Tenho isso da imprensa, da torcida, mas deles não”, questionou Fajardo, que avalia bem o grupo de jogadores do clube.

“Os jogadores são muitos bons. E bons de caráter, o grupo é muito unido e guerreiro. Estão muito servidos da parte tática. O próximo treinador que chegar, é só não atrapalhar. Se chegar um experiente e conduzir o trabalho aos poucos, ele vai consegui resultado”, afirmou o comandante de 59 anos de idade.

Com família em Juiz de Fora (MG), Fajardo agora planeja o retorno, já com malas prontas. O treinador, que pensa em parar por um período e recarregar as energias ao lado da família, lamentou a falta de reconhecimento por parte da diretoria. “É o que mais me deixou triste. Achava que tínhamos feito um bom jogo. Essa falta de reconhecimento foi o que fez entrarmos em um acordo. Longe de casa é tudo mais difícil. A mala está pronta e só estou esperando a rescisão do contrato”, completou um dos responsáveis pelo histórico acesso do Gavião do Norte em 2019.



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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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