Domingo, 29 de Março de 2020
ESTRELA VERDE E ROSA

Glaucivan Silva retorna à Vitória Régia de olho no título do Carnaval 2020

Este ano, a verde e rosa fará homenagem ao estilista Wernher Botelho, que faleceu ano passado, com o enredo 'Wernher Botelho é Coisa Nossa... O Abuso é Verde e Rosa'



vitoria_regia1_F254EA40-8207-46F0-A9E8-FA52F8AA28D0.JPG Foto: Jair Araújo
20/02/2020 às 07:47

Para este Carnaval, a escola de samba Vitória Régia fará uma justa homenagem ao estilista Wernher Botelho. No enredo “Wernher Botelho é Coisa Nossa... O Abuso é Verde e Rosa”, o artista falecido ano passado será relembrado em um tema que foi criado e desenvolvido por sua irmã, a funcionária pública e primeira carnavalesca de Manaus, Islene Botelho.

O tema em homenagem ao “Mago das Penas”, como era conhecido o artista, será a oportunidade de outro retorno à fileira de astros da verde e rosa da Praça 14 de Janeiro, Zona Sul da cidade. É que o artista plástico parintinense Glaucivan Silva, 43, que integra o Conselho de Artes do Boi Caprichoso, é o comandante do grupo de trabalhadores de barracão que vão criar os carros alegóricos da escola, que será a penúltima a desfilar já na madrugada do próximo domingo (23), a partir de 4h, na Avenida do Sambódromo.



Ele trabalha no Carnaval de Manaus desde os 13 anos de idade, e em 2019 esteve na Mocidade Independente de Aparecida. Mas engana-se quem pensa que esta será a estreia de Glaucivan Silva na Vitória Régia: ele já esteve na agremiação em 2010 e foi campeão.

“Estou torcendo para ser novamente campeão este ano”, diz ele, de forma suscinta, em meio às suas criações alegóricas - o currículo tem criações passadas na Sem Compromisso e Balaku Blaku, e fora do estado também no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Vitória.

(Foto: Jair Araújo)

Além de toda a genialidade artística, Glaucivan Silva é um crítico do estágio atual do Carnaval de Manaus. “Antes os trabalhos eram feitos em quatro meses, depois três, dois meses, um mês e agora em dias. Agora entendo porque nos chamam de artistas por fazer um Carnaval de quatro carros alegóricos e um tripé em dez dias ou no máximo 14 ou 15 dias, no máximo”, disse ele.

Quem o conhece, sabe que ele gosta de utilizar materiais novos e usar de reciclagem. Mas, este ano, o tempo e recursos escassos o fez fazer o básico “feijão com arroz”.

“Quando você faz o diferente requer tempo e mão de obra e não temos isso. O projeto inicial era utilizar 15 pessoas, mas estamos com 25 pessoas no barracão e pode chegar a 30”, explica o artesão.
Mesmo assim ele conta que utiliza materiais reciclados orindos das empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM) como plásticos que ganham brilho, telas de TV de Led, borrachas de encanamento de ar-condicionado e sacolas de fibra. “Você vai para o alternativo mas esbarra na falta de tempo para criar”, completa o artista.

Emoção em homenagear outro artista

O retorno de Glaucivan Silva também é marcado pela emoção, pois ele conhecia Wernher Botelho.

“É muito positiva a minha vinda aqui para a Vitória Régia, novamente quero ganhar o título, o grupo da escola tem pessoas carinhosas que vêm aqui no barracão para nos dar força, dar a mão para nós. Eu era amigo do Wernher e sempre trabalhamos juntos em festivais e cirandas e eu fiquei feliz em estar aqui nessa homenagem”, garante. 

O artista destaca que o convite para a verde e rosa partiu do presidente da Vitória Régia, Didi Redman. “Nunca havia trabalhado junto com o presidente, que é grande torcedor do Caprichoso. Sempre nos encontramos e ele fez o convite para que eu viesse para a escola de samba. Eu falei pra ele que se for pra rir vamos chorar juntos, e se for pra chorar, choraremos juntos também”, comentou.

Segundo Glaucivan este Carnaval será marcado pela superação e aproximação das comunidades.

“Vamos fazer um Carnaval de superação, de darmos as mãos não apenas com a diretoria mas com a comunidade em geral das escolas de samba co-irmãs. A falta de verba fez as comunidades se envolverem, vindo, ajudando. Minha expectativa é de união. Creio que não há como fazer um trabalho 100%, mas essa união está fortalecendo muito os artistas e comunidades. E se conscientizando que as pessoas devem investir mais no Carnaval”, disse ele.

Repórter de A Crítica

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