Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
Boi-bumbá

Márcia Siqueira assina contrato de levantadora no boi Garantido

Anúncio foi feito nas redes sociais do Touro Branco nesta quinta (29). Márcia celebra o reconhecimento e os caminhos abertos para as mulheres no bumbá



WhatsApp_Image_2020-10-29_at_20.39.28_55E63188-274A-4026-AB55-6B19CA2096B5.jpeg Márcia Siqueira possui 23 anos de história no boi da Baixa do São José (Foto: Divulgação)
29/10/2020 às 19:46

A famosa “Rosa Vermelha” do boi-bumbá amazonense ganhou, nesta quinta (29), um tom encarnado ainda mais bonito: a cantora Márcia Siqueira se tornou a primeira mulher a assinar um contrato de levantadora de toadas no Festival Folclórico de Parintins.  

A novidade foi anunciada nas redes sociais do boi-bumbá Garantido, que recentemente divulgou o nome de três levantadores para as noites de duelo no Bumbódromo: Sebastião Jr., David Assayag, e Edilson Santana. Márcia e os três artistas vão trabalhar nas apresentações do Touro Branco. 



Praticamente sem palavras, a cantora é só emoção com o anúncio. “Recebi muito carinho no Twitter, Instagram... o WhatsApp está lotado de mensagens. Eu fiquei muito feliz com a reação das pessoas, com o carinho. O momento do boi me assumir, de fato, como uma artista integrante do espetáculo de forma mais profissional é gratificante. É ótimo poder ter esse compromisso selado”, comemora ela.  

Siqueira assinou como levantadora, mas faz mistério quanto ao fato de ser avaliada no item 2 durante o próximo festival. “Sou a primeira mulher levantadora, fazendo parte do Bloco Musical. Só que, sobre como vai ser feito isso, não posso dizer, porque são estratégias do boi”, comenta.  

Ao todo, a cantora possui 23 anos de história no boi Garantido. E garante: mesmo se não houvesse contrato, ela ainda estaria contribuindo com o boi, como sempre contribuiu. “Esse reconhecimento da nova direção resgata outros artistas, que estão voltando para casa. O próprio David Assayag tem uma história no Garantido que é inegável”, diz ela. 

Siqueira relembra como é a relação com os demais colegas levantadores do bumbá. “O Sabá é mais recente, é uma união através do movimento da toada. Edilson é meu parceiro de muitos projetos. Fizemos mais de 300 trabalhos na minha época de ‘backing vocal’, nas diversas manifestações culturais do Amazonas. E o David também, por conta do próprio Garantido, nas primeiras participações que fiz no boi, como na toada ‘Grande Maloca’”, declara ela.  

Força feminina

Márcia sabe da importância que carrega e do mundo que desbrava daqui pra frente, sobretudo com o fato de ser a primeira levantadora de toadas do gênero feminino. “Tenho uma satisfação muito grande de fazer parte dessa história da mulher na toada, porque ainda tem algumas barreiras. Tem gente que acha que mulher não tem tônus pra cantar toada, e tem. Não tem diferença”, pontua ela.  

Aliada a essa missão, exala também de Márcia a felicidade por ver outras colegas de profissão tendo o trabalho reconhecido. “Tem a Mara Lima, tem a Paula Gomes, que está sendo cogitada para ser a levantadora do boi contrário. E agradeço também às mulheres que abriram as portas nesse meio, como Lili Andrade e Lucilene Castro”, comemora.  

Márcia aproveita para falar sobre as expectativas para o próximo Festival, que deve acontecer em 2021. “É difícil a gente descrever como será, porque pode ser algo que vá acontecer no pós-pandemia. Está todo mundo fluíndo ideias. Acredito que vai ser uma coisa surreal. O Garantido já é essa emoção”, completa ela.  

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