Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
Relíquia

Manuscrito de Silvino Santos é encontrado em acervo de museu

O Museu Amazônico da Ufam pretende publicar a obra "Romance da Minha Vida" em forma de livro



WhatsApp_Image_2020-08-13_at_14.29.43__1__0A90B3A1-9C0F-4013-BF91-948C1EE0DF3A.jpeg Equipe do laboratório de pesquisa está identificando e catalogando o material (Foto: Arquivo Pessoal)
19/08/2020 às 16:10

Mais reconhecido por seu trabalho com fotografia e cinema, o consagrado cineasta Silvino Santos (1886 -1970) está prestes a ser conhecido também como escritor.  Isso porque um manuscrito autobiográfico, intitulado “Romance da Minha Vida”, foi encontrado no acervo documental do artista, localizado no Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Após o processo de transcrição, identificação e catalogação, o museu pretende publicar a obra em forma de livro - ainda sem previsão.

A descoberta do manuscrito foi feita pela equipe do Laboratório de Pesquisa em Arquivologia, História e Patrimônio, coordenado pelo professor Leandro Coelho, da Faculdade de Informação e Comunicação da Ufam, em meio a mais de 1.600 itens que retratam a vida e a obra de Silvino Santos - entre fotografias, negativos em vidro, filmes, equipamentos fotográficos, documentos, recortes de jornais, revistas, livros e outros objetos pessoais adquiridos pela universidade por meio de compras e doações.



De acordo com o professor, o projeto, atualmente, se encontra na etapa de levantamento das informações do acervo para que, posteriormente, seja produzido um catálogo que será publicado em formato físico e digital para, assim, oferecer instrumentos de pesquisa para a preservação e a difusão deste patrimônio documental histórico.

“O resultado preliminar desse projeto é a descoberta do ‘Romance da Minha Vida’, nunca publicado, que pela relevância social e histórica do próprio Silvino, representa um importante achado para sociedade. Todo mundo o conhece enquanto fotógrafo e cineasta, que representou tão bem a região Norte, mas agora estamos diante de um romance autobiográfico, apresentando assim uma outra vertente dele, a escrita”, enfatizou Coelho.

Sobre Silvino Santos ter intitulado o manuscrito como “romance”, embora não seja uma obra de ficção, Leandro Coelho acredita que o termo foi usado mais para chamar a atenção dos leitores.

“O manuscrito é uma autobiografia, que conta vários momentos de sua história, situações, dramas, vivências. Creio que o uso do termo "romance" venha muito mais como um artifício literário para chamar a atenção até mesmo para a forma como ele observava a sua vida, mas como não fiz a leitura do manuscrito na íntegra, não posso apresentar uma análise mais detalhada”, contou ele ao BEM VIVER.

Relato histórico

Para o diretor geral do Museu Amazônico, Dysson Teles Alves, o manuscrito não se resume a uma autobiografia apenas. “É um relato histórico, embora narre sua infância em uma aldeia portuguesa, passando pela adolescência e chegando até a vida adulta. Como se tratava de uma pessoa com muitas experiências, sobretudo de viagens, Silvino Santos narrou os aspectos políticos e econômicos dos países em que ele visitou como França, Portugal e, claro, Brasil’’, disse.

O diretor salientou que o manuscrito descoberto proporciona informações muito ricas, principalmente históricas, e que a publicação foi mencionada em alguns trabalhos acadêmicos, mas nenhuma das pesquisas analisou o ‘’romance’’ enquanto objeto que reflete tanto o homem quanto a sociedade nela representada - o que ratifica a relevância da obra. 

“O que estamos fazendo agora é a transcrição de “Romance da Minha Vida”, respeitando a caligrafia e a gramática da época. Os alunos de arquivologia, coordenados pelo professor Leandro, deram continuidade ao processo de identificação e catalogação deste material. O manuscrito não foi editado e o Museu Amazônico tem projeto para futura publicação”, adiantou.

Projeto

O Laboratório de Pesquisa em Arquivologia, História e Patrimônio é o responsável, desde 2018, pelo projeto de diagnóstico, preservação e de criação de instrumentos de pesquisa das obras do cineasta Silvino Santos, realizado por meio da parceria com o Museu Amazônico.

Conforme o coordenador do projeto, professor Leandro Coelho, há relatos de existência do acervo, tanto em pesquisas acadêmicas quanto em uma exposição, ocorrida há 23 anos atrás.

“Em comum, tais relatos, especificamente acerca do “romance” manuscrito, ressaltam o seu caráter ainda inédito, e sua relevância social, por tratar-se de uma autobiografia de um importante personagem da história do Amazonas. Acredito que, pela própria relevância do acervo e por conter fotografias e objetos pessoais, deva haver uma exposição futuramente, mas só o museu pode confirmar”, disse.

Como o projeto de identificação e organização do acervo do cineasta ainda está em andamento, o professor acredita ainda ser possível encontrar mais obras inéditas.

“A identificação e organização de tal acervo possibilitará não somente encontrar possíveis trabalhos inéditos, mas também dará um maior entendimento acerca do próprio acervo existente, possibilitando, assim, novos trabalhos e novos prismas acerca de um personagem e de um período tão importante para a história da sociedade e da região Amazônica”, completa.

Sobre Silvino

Português radicado no Norte do Brasil, o cineasta Silvino Santos desenvolveu seu trabalho, primeiramente com fotografia, em seguida com cinema, em Manaus, onde morreu em 1970, aos 84 anos. É dele alguns dos mais importantes registros visuais da Amazônia, como o filme “No Paiz das Amazonas” (1921). Considerado pioneiro da fotografia e do cinema no Brasil, Silvino legou importantes registros da vida social e cultural da Amazônia da primeira metade do século 20.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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