Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
Música

A era dos singles: artistas optam por lançamentos menores

Em uma sociedade onde a arte é consumida com velocidade, artistas preferem investir em músicas isoladas do que em álbuns inteiros. Estratégia reduz custos



Karine_Aguiar_-_Reprodu__o_do_V_deo_3_86492297-A6C9-49F8-A8C3-43C304A1E941.jpg A cantora Karine se diz fã tanto dos singles quanto dos álbuns (Foto: Divulgação)
24/08/2020 às 19:09

Em um mundo em que a cada dez pessoas, sete não ouvem um disco na íntegra, conforme pesquisa da plataforma Deezer, optar pelo lançamento de singles pode ser uma boa opção, ainda mais quando se é artista independente. A estratégia permite auxiliar os custos e ainda possibilita a inclusão da faixa nas famosas filas de reprodução.

Integrante do grupo “Papo de Preto” – que lançou neste ano o single “Axé pra brincar”, em parceria com a rapper Anna Sua –, o músico e compositor Luiz Fernando Costa comenta que a escolha pela forma de divulgação envolve duas questões: instantaneidade do mercado e economia.



Segundo o artista, atualmente, as pessoas consomem de tudo muito rápido. Por isso, os membros da banda, que é recente – tem cinco anos – e ainda está consolidando seu público, preferem soltar seu trabalho de forma gradual, para que as pessoas possam conhecê-lo de forma completa. Ele também comenta que, embora seja possível gravar de casa, com vários recursos disponibilizados de graça na internet, não há como fugir do custo com o processo de distribuição.

Nesse cenário, o single é a melhor opção, até mesmo para atingir um público específico. “Às vezes, você lança um álbum ou um EP, mas não consegue fazer a divulgação necessária para explorar o máximo das canções que está trabalhando. Então, eu recomendo sempre lançamentos menores pra que você possa chegar ao melhor público”, pontua.

É o que também pensa Bruno Rodriguez, que começou a cantar profissionalmente em 2016 e tem quatro singles lançados. Apesar de pretender incluir suas faixas em álbuns, o cantor e pianista destaca que decidiu lançar os singles para entrar no mercado de streaming e ter material acessível para que as pessoas pudessem conhecê-lo, considerando a demora na produção de um disco, especialmente quando não se tem muitos recursos.

“Como artista independente, que não tem um trabalho muito conhecido, acredito que trabalhar as músicas individualmente é mais interessante pra formar um público”, assevera.

Nas Redes

Em meio à pandemia do novo coronavírus, Rafael Ângelo, guitarrista da Alaídenegão, fala que o lançamento de singles foi importante para manter as atividades da banda durante o isolamento social.

Mas, nem tudo são flores. De acordo com ele, com o alcance restringido das redes sociais e as campanhas publicitárias onerosas, fazer uso da estratégia não quer dizer reconhecimento de imediato. “A meu ver, cai por terra o mito de que ao lançar uma música pela internet há a possibilidade de conquistar o mundo”, ressalta.

Produtora cultural, Audi Arruda – que trabalha pontualmente com Bruno Rodriguez e Jade Safirah e de maneira fixa com o trio “Um trevo” e a cantora Bel Martine – observa que, para que o lançamento de um single tenha efeito, deve ser observado o conceito de marca do artista (“pois isso constrói a identidade musical e visual da carreira dele”) e o quanto o público está aquecido para receber o material.

Audi salienta que a estética do trabalho também é fundamental para a compreensão e absorção da ideia pelo público. “Hoje, nossas plataformas de divulgação em massa são as redes sociais, em especial o Instagram, em que a estética é essencial. Sem um bom desenvolvimento do projeto visual, corre-se o risco de um baixo engajamento e isso interfere diretamente no resultado do lançamento”, evidencia.

Híbrida

É claro que nem só de single se faz uma carreira. Responsável por gerir o processo criativo de seu trabalho, Karine Aguiar opta por uma estratégia “híbrida”, o que envolve lançamentos tanto de singles quanto de álbuns inteiros. De acordo com a cantora, isso tem muito a ver com seu nicho e com a idade de seu público: dos 15 até acima dos 70 anos, com base em dados do Google Analytics, Facebook e Instagram.

Ela assevera que singles e videoclipes funcionam muito bem para gêneros de maior alcance das massas, como o pop. Mas, no seu caso, têm funcionado como uma espécie de “introdução” ao que está por vir, já que o público do Jazz ainda compra muitos CD’s físicos e ouve álbuns inteiros. A artista também confessa que a gravação de um disco está entre suas preferências. "Sou muito apegada ao processo de gravação de um álbum inteiro, gestar uma ideia, trabalhar em torno de um conceito, criar um fio condutor sobre o qual as músicas irão se desenvolver. Gosto dessa 'contação de história' a partir de uma experiência sonora".

 

Repórter

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