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Segundo turno da eleição suplementar inicia com a caça aos infiéis

PT acena com denúncia de expulsão de filiados que não apoiaram José Ricardo enquanto outras siglas ignoram os infiéis 10/08/2017 às 14:35 - Atualizado em 10/08/2017 às 20:44
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(Foto: Arquivo A Crítica)
Janaína Andrade Manaus (AM)

O segundo turno da eleição suplementar para o governo do Estado iniciou com a caça das legendas aos filiados infiéis que apoiaram candidatos de outras siglas. Uma delas, o PT quer expulsar filiados que não apoiaram a campanha de José Ricardo, desrespeitando, segundo membros, resolução da sigla.

Entre os tachados de “infiéis” está o ex-presidente estadual da legenda Waldemir Santana e seus dois filhos – Tiago Santana, ex-presidente municipal do PT, e Wagner Santana, que foi presidente do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam). O trio fez campanha no primeiro turno para Eduardo Braga (PMDB).

Os prefeitos de São Gabriel da Cachoeira, Clovis Curubão, que faz campanha para o candidato Amazonino Mendes (PDT); de Maués, Padre Carlos Góes, que fez campanha para Braga; e ainda o prefeito de Urucurituba, José Pontes, conhecido como Sabugo, que fez campanha no primeiro turno para Rebecca Garcia, do PP; também terão que enfrentar o processo de expulsão.

Militantes do PT nos municípios do interior receberam a missão de fazer uma peneira e delatar filiados que não apoiaram o candidato da sigla. Um dos coordenadores da campanha de José Ricardo ao governo, o ex-vereador Waldemir José, destacou que a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o também senador Paulo Rocha, que estiveram na capital para pedir votos ao candidato da sigla, “ficaram descontentes com a posição e com a forma escrachada” com que infiéis, como Tiago Santana, “tentaram colocar como vergonhosa” a candidatura de José Ricardo usando as redes sociais.

“Esse processo deve terminar na nacional e a nacional tem espírito de punição para isso”, observou Waldemir José.

A grande surpresa do pleito deste ano ficou por conta do desempenho do candidato petista, que ficou na segunda colocação entre os nove candidatos que concorreram ao pleito, em Manaus, com 18,32% dos votos. Em números absolutos, são 152,8 mil votos para o parlamentar petista, contra 150,1 mil (17.97%) de Eduardo Braga e 141 mil de Rebecca (16.86%). A votação de José Ricardo foi mais expressiva que a registrada na eleição para prefeito, no ano passado, quando, em quarto lugar, ele teve 113,9 mil votos.

Resolução

“A resolução do PT no sexto Congresso Estadual que definiu candidatura própria ao governo do Estado estabeleceu que os filiados não deveriam apoiar outras candidaturas. Abertamente essas lideranças apoiaram Eduardo Braga e Amazonino. O caso do prefeito de São Gabriel da Cachoeira, ele aparece em fotos fazendo campanha para Amazonino Mendes”, explicou um membro do PT que preferiu não ser identificado.

A equipe de coordenação da campanha de José Ricardo esteve reunida na terça-feira e delegou um grupo para reunir provas e preparar os documentos para pedidos de expulsão dos filiados considerados infiéis.

Blog: Waldemir Santana, Ex-presidente estadual do Partido dos Trabalhadores

“Não vejo problema algum deles pedirem a minha expulsão, mas tem que apresentar provas. Provas verdadeiras, não as fraudulentas. Qualquer militante do PT pode fazer acusações, mas acusações verdadeiras. Eu não sou obrigado a apoiar o José Ricardo. Eu desde o início desse processo eleitoral avisei: sou do PT, mas sou presidente da CUT/AM (Central Única dos Trabalhadores no Amazonas). E o PT não manda na CUT. A CUT, a nível nacional, definiu apoiar aqueles que estava defendendo os interesse nacionais. E isso ficou bem claro”, disse o ex-presidente estadual do PT, Waldemir Santana.

Após desobediência, deputados se redimem

Alguns parlamentares pularam a cerca para apoiar candidatos de outros partidos mas, no 2º turno se redimiram. É o caso dos deputados Dr. Gomes (PSD) e Sabá Reis (PR). Gomes no 1° turno apoiou a candidatura de Rebecca, mas no segundo turno decidiu se reconciliar com o PSD e apoiar Amazonino. Já Sabá Reis resolveu mudar de lado às vésperas do primeiro turno, migrando para a campanha de Rebecca. Essa semana apareceu ao lado de Braga, que tem o vice do PR.

Lista de rebelados inclui PMDB, PSD e DEM

A lista de siglas que assistiram à infidelidade de parlamentares nesta campanha não se restringe ao PT. No PMDB, que lançou Eduardo Braga ao governo, desde o início da campanha dois, dos três deputados da sigla, decidiram não manifestar apoio ao candidato do partido ao governo. Os deputados Vicente Lopes e Wanderley Dallas se dizem “neutros”, mas são acusados por membros da legenda de apoiar Amazonino Mendes, o que ambos negam.

Após serem destituídos da liderança e vice-liderança do partido, Vicente e Dallas atacaram durante Braga, em plenário, e o classificaram como “tirano”. “Não apoio o senhor Eduardo Braga e não apoio nenhum candidato”, disse Vicente, afirmando que liberou todos o seus apoiadores “para votar em quem quiser”.

Ambos dizem sofrer retaliação porque não apoiam Eduardo Braga na eleição. E contestam o ofício enviado pelo PMDB à ALE/AM, que delega à deputada Alessandra Campelo a liderança do partido e deixa desocupada a vice-liderança. O documento diz que a decisão foi tomada pela Executiva da legenda “e parlamentares”, no dia 27 de julho.

O secretário-geral do PMDB, Miguel Biango, afirmou que a sigla precisava de uma liderança que estivesse “engajada” na campanha. “Não estou dizendo que eles estão fazendo campanha para o outro lado (Amazonino), mas não estão engajados na campanha (de Braga)”, disse Biango, na terça-feira, à coluna SIM & NÃO.

O deputado Ricardo Nicolau e o vereador Hiram Nicolau, ambos do PSD, também contrariaram as orientações do PSD, que faz parte da coligação de Amazonino, e decidiram no primeiro turno fazer campanha para Rebecca (PP) e no 2° turno para Braga. No DEM, que também apoia Amazonino, o deputado Platiny Soares pediu votos para Rebecca e agora para Braga.

Presidente municipal do PMDB e vereador Marcel Alexandre

Questionado sobre a decisão dos deputados Wanderley Dallas e Vicente Lopes, ambos do PMDB, em apoiar o candidato Amazonino Mendes, contrariando a decisão da sigla, que lançou Eduardo Braga para o governo do Estado, o presidente municipal da legenda, Marcel Alexandre, adiantou que o PMDB não tem histórico de expulsão, mas ponderou que o comportamento da dupla “desafia a coerência”.

“O PMDB não tem essa história de expulsão, nada disso, não. Eu achei até um negócio assim estranho aquilo que existiu do estranhamento da retirada da liderança do Vicente Lopes na ALE-AM. Achei isso absurdo, estranho. O PMDB tem orgulho de ser democrático, agora nós temos um candidato (Eduardo Braga), daí um correligionário não apoiar o candidato que o partido tem, aí ele também tem que ter coerência. Talvez isso já seja um indicativo de que eles não sejam mais (do PMDB)”, disse Marcel.

Revoltado

O governador interino David Almeida integra a lista de infiéis do PSD. Contrariado por não ter sido lançado para disputar o mandato tampão, o presidente da ALE, que ocupa o governo do Estado desde maio após a cassação de José Melo e Henrique Oliveira, avalizou a candidatura de Rebecca Garcia no primeiro turno e não a de Amazonino que é apoiado pelo PSD. Ele já disse que deixará o PSD.