Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
E-commerce

Vendas online da Bemol crescem 10 vezes mais durante a pandemia

Case de sucesso: Vendas digitais da Bemol crescem 10 vezes mais no período de isolamento social com investimento em campanhas de marketing, inserção de novos produtos e serviços e reforço em logística e entrega



e-commerce-402822_1280_23D70EEF-8B7C-4D44-A797-B5F9768003E5.jpg Divulgação
30/06/2020 às 08:29

A pandemia do novo coronavírus impôs o fechamento do comércio em várias partes do mundo e trouxe um desafio a vários empresários que tiveram que reforçar seus canais de vendas online, literalmente da noite para o dia. Esse desafio atingiu em cheio a Bemol, maior grupo varejista da região Norte, que reúne 20 lojas de departamento, além de farmácias nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. O grupo amazonense teve que se adaptar ao momento diante do fechamento das lojas - que durou três meses - e concentrar suas vendas pelo site.

As lojas voltaram a funcionar no início de junho, de acordo com o cronograma de reabertura das atividades, imposto pelo Governo do Amazonas, a fim de conter a epidemia do novo coronavírus que infectou, oficialmente, mais de 68 mil pessoas no Estado.



Atenta às necessidades dos clientes, não só reforçou seu catálogo de vendas pela internet, inserindo novos produtos e serviços, como precisou abrir um novo canal de vendas pelo WhatsApp para atender a quem tem dificuldade ou limitação de acesso ao site.

As vendas online já são uma realidade consolidada pela Bemol, mas que teve que ser aperfeiçoada neste momento em que quando o volume de vendas cresceu dez vezes mais do que a média, especialmente em Manaus, segundo o diretor-presidente do grupo, Denis Minev, em entrevista exclusiva ao +DINHEIRO.

“Tivemos crescimento de mais de dez vezes o volume de vendas anterior online. Em Manaus, em particular, tivemos um grande aumento do e-commerce. Nos demais (estados) houve também, mas não na mesma escala”, destaca Minev.

A Bemol conta com o suporte da agência especializada em estratégia e mídia digital, Buzzer Digital, situada em São Paulo, que cuida do e-commerce com estratégias de publicidade em plataformas como YouTube e Instagram. Há mais de 10 anos no mercado, a empresa tem os certificados Google Partner, Facebook Blueprint, MailChimp Expert e Allin Mail e BTG 360.

Segundo o diretor de mídia da Buzzer, Felipe Honain, houve um aumento de 80% da taxa de conversão das campanhas digitais e a Bemol digital faturou mais que o semestre inteiro de 2019, o que significou 300% a mais de faturamento na receita do período atual.

Para que o e-commerce disparasse, a empresa investiu 25% a mais em campanha de mídia, reforçando o relacionamento com os clientes via chatbot no site e no WhatsApp, a fim de entender melhor o feedback do consumidor.

De acordo com Minev, os itens mais vendidos pelo site da Bemol neste período de isolamento social foram eletrônicos e acessórios de informática, como celulares, notebook, webcams; entretenimento doméstico, como smartTVs, videogames e jogos de tabuleiro; produtos de primeira necessidade como cestas básicas, álcool gel, máscaras e medicamentos.

Inovação

O grupo Bemol fez do desafio uma oportunidade e passou a vender itens de cesta básica pelo site e recentemente até oferece o serviço de teste rápido para a Covid-19 por drive thru. Tudo com o crediário próprio, que é marca registrada do grupo, que prepara novidades para o segundo semestre como o lançamento da Conta Bemol, uma espécie de fintech que faz parte da nova empresa de tecnologia do Grupo, a Bemol Digital.

O diretor de mídia da Buzzer Digital destaca que a Bemol é um case de sucesso para a região Norte, que sempre foi última com apenas 4% do volume de vendas online no Brasil. Nos últimos meses, até ultrapassou a região Centro-oeste em crescimento. As vendas pelo e-commerce no Brasil cresceram 75% em maio e a média de crescimento dos últimos três meses (março, abril e maio) foi de mais de 48%, acima do registrado no primeiro trimestre: 14%, segundo o Mastercard SpendingPulse, índice que rastreia as vendas gerais de varejo em todos os tipos de pagamento, incluindo dinheiro e cheque.

“Muitas empresas e pessoas ainda não haviam aderido e se viram obrigadas a fazer essa migração, por conta do aumento da concorrência. Vejo um potencial de crescimento maior na região Norte por conta da quantidade de pessoas que ainda não utilizam o e-commerce. No Brasil, 1 a cada 4 pessoas ainda não tem acesso à internet, o que significa bastante mercado a ser explorado”, acrescenta.

A capacidade de entregar de forma rápida com frete barato é um diferencial competitivo da Bemol em relação aos seus concorrentes locais e nacionais, ressalta Honain. “Muita empresa vai perceber que consegue existir só digitalmente e remotamente; aumentar sua logística e entregas; muitos fazendo de forma impulso. Mas as empresas devem buscar parceiros estratégicos com conhecimento no assunto”.

Desafios

Denis Minev diz que o desafio do grupo que tem 78 anos de existência é continuar crescendo no varejo online, priorizando a digitalização das operações, bem como trazer novas soluções para quem mora no interior da Amazônia e ainda privilegia o varejo físico.

“Temos muitos aprendizados. Talvez o principal é da importância da digitalização das operações. A equipe administrativa ficou em home office durante dois meses e conseguimos manter quase tudo funcionando a despeito da distância. Para que isso acontecesse, tivemos que passar os últimos anos investindo em equipe, sistemas e cultura. Queremos conseguir competir com todos os novos entrantes na região; para isso, precisamos correr mais rápido, com agilidade e estratégia”, finaliza.

 

Três perguntas para: Denis Minev, diretor-presidente da Bemol.

 

  1. Qual o perfil desse cliente que compra pela internet?

Havia antes da pandemia um perfil mais jovem no comprador online. Desde a pandemia, creio que todos os grupos demográficos decidiram aprender dada a necessidade.  

 

  1. Quais as peculiaridades de consumo do Norte?

O norte, dadas as dificuldades logísticas, ainda privilegia o varejo físico. O custo do frete é também um empecilho.  Além disso, a penetração de meios digitais de pagamento aqui ainda é incipiente.  Este é inclusive um tema que queremos abordar no 2o semestre com o lançamento da Conta Bemol, uma conta digital desenhada para nossos clientes.

  

  1. Como chegar aos rincões da Amazônia com venda digital?

É preciso desenhar soluções específicas para cada município. Temos hoje desenhada logística e marketing em cerca de 50 dos municípios da Amazônia Ocidental. Ainda temos muito a evoluir, dado que são cerca de 150 municípios.


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