Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
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Procuradoria-Geral da República acusa youtubers de lucrar com a crise 

Órgão acusa sites bolsonaristas de lucrarem com promoção da polarização política.



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25/06/2020 às 08:41

A Procuradoria-Geral da República acusa sites bolsonaristas de lucrarem com a promoção de polarização política. É o que consta no inquérito das manifestações antidemocráticas, ao qual o Correio teve acesso. Ainda segundo o documento, vídeos com a participação do presidente da República eram especialmente mais lucrativos. 

Canais do You Tube utilizam mensagens apelativas para chamar espectadores, e precisam subir o tom a cada publicação. A tática é a mesma que o presidente Jair Bolsonaro usa em alguns discursos para manter o núcleo de seguidores mais fiéis.



A principal especialidade desses canais, segundo a PGR, é criar uma panorama de "amigo-inimigo", que tem, segundo o texto, repercussões posteriores "na vida real". "Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros", explica o documento. Vale lembrar que parte dessas repercussões são, justamente, as manifestações antidemocráticas.

A PGR exemplifica os valores obtidos, como o do canal Folha Política. "Para que se tenha uma dimensão dos volumes envolvidos nesse mercado, um relatório de uma empresa especializada em análises estatísticas de páginas do YouTube dá conta de que as 829 mil visualizações obtidas com o vídeo da 'live' que o presidente gravou em 3 de maio na frente do Palácio do Planalto podem ter gerado um lucro entre 6 mil e 11 mil dólares para o administrador do canal "Folha Política", que tem 1,8 milhões de inscritos", afirma a PGR.

"Já o vídeo da "live" presidencial no dia do Exército rendeu 1,5 milhão de visualizações ao canal Foco do Brasil, e pode ter proporcionado um lucro entre 7,55 mil a 18,8 mil dólares apenas como recursos de monetização oferecidos pela plataforma", continua o texto. O lucro, claro, vem da receita de publicidade de anúncios advindos, em parte, do próprio sistema de monetização do YouTube, de órgãos públicos, além das assinaturas pagas dos canais e da venda de produtos divulgados pelos criadores de conteúdo. 

De acordo com a denúncia, os vídeos citados, "em tese, renderam valores expressivos a Ernani Fernandes Barbosa, Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, responsáveis pelo canal Folha Política, e Alberto Junio da Silva, administrador do canal O Giro de Noticias, no YouTube, bem como a vários outros perfis semelhantes”.


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