Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
SAÚDE

Com aumento de casos no interior, Governo do AM amplia UTI aérea para remoções de pacientes

Solicitações para transferências aumentaram mais de 60% e força-tarefa montada pelo Estado vem salvando vidas



uti-aerea---jpeg_00197085_0_202004021917_C6468FA2-7F09-4487-A241-F95CAF3D4D43.jpg Foto: Divulgação/Susam
22/05/2020 às 19:17

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), tem dedicado esforços para atender a demanda de remoções de pacientes graves, suspeitos e confirmados do novo coronavírus (Covid-19), que precisam ser transferidos para Manaus por meio de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) aéreas. Desde o início da pandemia, 120 pacientes já foram trazidos do interior para a capital, por meio de seis aeronaves adaptadas para o transporte de pacientes. Um fluxo exclusivo para Covid-19 foi montado e opera em paralelo ao atendimento de pacientes com outras enfermidades, que também necessitam de transferência. 

“Antes nós trabalhávamos com três aeronaves, fizemos um aditamento de contrato em que mais três são direcionadas, exclusivamente, para transporte dos pacientes agravados no interior. Esses 50% a mais têm feito com que a gente consiga dar vazão, principalmente, porque o número dos casos confirmados no interior têm aumentado e, por conta até da característica da evolução da doença, esses pacientes agravam, precisando, então, de uma assistência de alta complexidade e a necessidade da vinda para a capital”, ressaltou a titular da Susam, Simone Papaiz. 



A lista de pacientes que necessitam de suporte avançado na capital é organizada por meio do Sistema de Transferência de Emergências Reguladas (Sister), vinculado à Susam.

“Nós tínhamos, antes do Covid, uma lista em torno de 10, oito pacientes. De maio para cá, praticamente triplicamos, teve dia que a gente chegou a uma lista com 30 pacientes graves e entubados. Todos os dias, o Sister faz um critério de prioridades e avalia qual o paciente que fica em primeiro, segundo, tudo por critério clínico. A gente faz a triagem e a regulagem. Feito isso a gente define como será a transferência”, detalhou o médico intensivista Edson Rodrigues, que coordena o fluxo de UTIs aéreas do Estado. 

Logística

O setor que organiza a logística de voo das UTIs aéreas, no aeroporto Eduardo Gomes, registrou um aumento em torno de 60% a 70% no quantitativo de voos. O Estado dispõe, atualmente, de sete aeronaves para fazer o transporte de pacientes do interior, sendo um hidroavião, dois monomotores, dois bimotores e dois jatos utilizados para longas distâncias por serem mais rápidos. Cada aeronave tem capacidade para transportar até dois pacientes por voo. 

“Conforme a localidade, a distância e a pista operacional, a gente define o tipo de aeronave para fazer a remoção”, disse Edson, ao ressaltar que todos os pacientes passam por uma avaliação criteriosa que define se realmente há condições clínicas para suportar a transferência. 

Cada unidade que realiza remoções do interior para a capital conta com uma equipe composta por um médico intensivista e um enfermeiro intensivista, além de equipamentos e insumos para fazer o transporte adequado dos pacientes. Além dos profissionais de saúde, do piloto e do co-piloto, cada paciente viaja com um acompanhante. 

Remoções

Nesta sexta-feira (22), foram transportados para Manaus cinco pacientes, sendo dois do município de Barreirinha, um de Parintins, um de Boa Vista do Ramos e um de Santo Antônio do Içá. 

O médico de tráfego Thales Araújo acompanhou o paciente que veio para a capital transferido de Santo Antônio do Içá, um menino de 10 anos, que viajou com o pai. 

Ele frisa que todos os protocolos preconizados para as remoções são obedecidos à risca. “São protocolos definidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde), onde a gente utiliza EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e toda uma parte de equipamentos para a proteção de todos que fazem parte do transporte. São máscaras, protetores de face, óculos, macacão descartáveis e também botas especiais. É um cuidado necessário porque é uma doença nova, uma doença de alto contágio, onde você está exposto muito mais do que qualquer doença”, avaliou o profissional. 

Preparação e limpeza

O processo de montagem da UTI aérea inicia muito antes da decolagem. Antes de acontecer a remoção, temos todo um processo pra depois a coisa acontecer. 

“Quando o avião decola pronto, com a UTI toda montada, respiradores, maca, teve todo um processo, toda uma situação para que tudo corra bem. A gente chega ao município, vai ao hospital, pega esse paciente. Esse paciente vem com toda segurança. Tem que montar a aeronave, colocar maca, oxigênio, toda uma logística de cilindro, mais a equipe médica. Para isso acontecer, todo o processo foi feito anteriormente”, pontuou Edson Rodrigues, coordenador do fluxo de UTIs aéreas do Estado. 

O cuidado com a limpeza da aeronave, antes e depois de receber o paciente, é redobrado e inclui a utilização de ozônio para eliminar micro-organismos. “A equipe chega e tira todo o material, tira tudo. Deixa a aeronave por uma hora e depois disso (procedimento com o ozônio), ela fica mais seis horas parada. Depois fica disponível para o pessoal da limpeza entrar e fazer a higienização, desinfecção geral e disponibilizar novamente essa aeronave para fazer o novo voo. Esse é o processo todo que, com o Covid-19, é uma preocupação 10 vezes maior”, ressaltou Edson. 

Ao desembarcar, os profissionais de saúde transferem o paciente para a ambulância, que pode ser uma Unidade de Suporte Avançado ou Unidade Básica. O paciente segue para internação na unidade de saúde de referência, Hospital Delphina Aziz ou Hospital de Combate ao Covid-19 (Nilton Lins). 

Casos no interior

Dos 27.038 casos confirmados no Amazonas até esta sexta-feira (22), 12.967 são de Manaus (47,96%) e 14.071, a maioria, são do interior do estado (52,04%). 

Envira e Ipixuna são os únicos municípios do Amazonas sem casos confirmados de Covid-19. As duas cidades registraram apenas casos notificados, que são os casos suspeitos para a doença. São nove casos notificados em Envira e 12 em Ipixuna, conforme boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). 

*Com informações da Assessoria de Imprensa

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