Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
NAS RUAS POR NÓS

Policiais militares contam como é trabalhar em meio à pandemia de coronavírus

Precisando se adaptar a um novo aparato, os centenas de policiais estão na rua para garantir não somente a seguridade das pessoas, mas para fazer valer as medidas governamentais como o isolamento social e a suspensão de atividades econômicas não essenciais



1722697_0A456BFB-C59B-4CAE-8900-3148A19F8887.jpg Foto: Junio Matos
18/05/2020 às 10:15

Em tempos de pandemia, eles fazem parte do serviço essencial como os profissionais da saúde, da imprensa e da mobilidade, entre outros. Integrantes da segurança pública, centenas de policiais militares estão nas ruas para garantir não somente a seguridade das pessoas, mas para fazer valer as medidas governamentais como o isolamento social e a suspensão de atividades econômicas não essenciais.

Por conta do  coronavírus, o dia-dia desses policiais mudou muito, já que precisam de mais se adaptar a um novo aparato de proteção além do armamento e coletes: máscaras,  luvas e o álcool em gel, itens esses que minimizam a possibilidade de se contaminar em meio a uma abordagem policial, por exemplo. Em entrevista para A Crítica, três integrantes da corporação relataram como está sendo o trabalho em meio à pandemia, os receios e desafios que o exercício da profissão os impõem nesses dias.



O cabo Thiago Guilherme Marqueti, que atua há nove anos na Policia Militar do Amazonas (PM-AM), afirma que mesmo utilizando o aparato de segurança contra o vírus, o receio em adquirir a doença é uma realidade.

“O trabalho continua o mesmo, o que muda é a proteção que precisa ter e ser bem empregada, como a luva, o álcool em gel, que é o que não falta dentro da viatura, assim como a higienização dela. O problema é que na rua ninguém sabe quem está com o vírus ou não e a gente acaba virando um alvo fácil para a doença”, comentou.


Foto: Junio Matos

O policial cita uma ocorrência em que vários integrantes de uma família estavam infectados e em quarentena dentro de casa. Segundo ele, com precaução e cautela, os policiais militares conseguiram intervir no conflito familiar. “A gente foi em uma casa, onde o filho estava violentando a mãe por causa de bebida alcoólica e drogas e, ao entrar, soubemos que família inteira estava com Covid-19. Nessa hora, a gente colocou uma luva a mais e nós passamos um pouco mais de álcool em gel e mediamos ali mesmo a ocorrência”, contou.

“Nós tranquilizamos os dois, graças a Deus, sem nenhum tipo de contato. Nesse caso, a família falou que tinha caso de coronavírus, porém há aqueles casos em que a gente não sabe, acaba se misturando com a pessoa e, depois que termina a ocorrência, é que a gente vê que algum dos colegas foi infectado e aí já era”.

Para o cabo Thiago Ventura, atuante há nove anos na corporação, a rotina é de conscientizar e orientar a população para que cada um faça a sua parte em meio à pandemia.  “A gente trabalha tendo a empatia pelo outro, por aqueles comerciantes que não entendem o porque o seu comércio foi fechado, porém nós também temos que fazer com que a lei seja cumprida”, disse ele, que lamenta ter perdido familiares para a doença.

“Receio todo mundo tem, mas a gente está se cuidando de forma individual porque não dá para esperar pelo próximo”, ressaltou. “Quem está levando a pandemia na brincadeira, ok, mas saiba que, quando for atingido como a nossa família foi, é complicado porque na prática, você vê o seu parente sendo enterrado às pressas, sem velório, sem despedida e, depois disso, é aí que as pessoas passam a pensar diferente. A gente orienta aquela pessoa que está sem proteção, mas há a questão do livre arbítrio de cada pessoa”, concluiu.

Personagem: Igo Silva - Sargento, presidente da APPBAM

Os policiais militares estão próximos às agências bancárias, onde há a possibilidade de aglomerações, e se fazem presente também em hospitais e prontos-socorros da cidade. De acordo com o presidente da Associação das Praças da Polícia e Bombeiros Militar do Amazonas (APPBAM), sargento Igo Silva, o clima é de medo dentro da corporação, já que 15 policiais morreram por conta do novo coronavírus, sendo oito militares da reserva e sete policiais da ativa. O número de óbitos da ativa foi confirmado na sexta-feira pela assessoria de imprensa da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM).

“O policial militar fica apreensivo porque ele vê o colega dele morrendo, mas ele não pode parar de executar as missões. Há muitos policiais de quarentena e, quando ele é contaminado, às vezes, ele só vai fazer o exame quando ele está nas últimas e é isso que tem levado os nossos policiais militares à morte”, disse ele, que acrescentou que os EPIs são insuficientes.

“Há, sim, o medo do policial militar de perder sua vida. No começo da pandemia, o Estado foi negligente, deixou os policiais vários dias sem qualquer tipo de proteção e, se formos analisar, eles dão uma máscara para o policial tirar o dia todo de serviço e nós sabemos que são duas horas de uso”, disse ainda, que acrescentando a precariedade do suporte aos policiais no interior do Amazonas.

Polícia distribui máscaras

A Diretoria de Saúde (DS) da Polícia Militar do Amazonas realizou, na manhã da última   sexta-feira, atendimento médico, psicológico, social e com fisioterapeuta para policiais custodiados no Núcleo Prisional. Na ocasião, foram realizados testes rápidos para a detectação da Covid 19. Aos que apresentaram diagnóstico positivo, o protocolo de combate ao coronavirus foi iniciado imediatamente.

“Todos os custodiados e policiais estão sendo assistidos por uma equipe médica da Policlínica”, destacou a assessoria de comunicação da PM-AM em nota enviada à equipe de reportagem do  jornal A CRÍTICA.

A respeito das ações, a corporação destacou que, para as unidades da capital e do interior estão sendo distribuídos todos os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para preservar a saúde do policial e acrescentou que, desde o dia 23 de março até ontem, foram distribuídos, tanto na capital quanto no interior do Estado, o total de 27.600 máscaras de proteção, 53.500 pares de luvas, 5.050 litros de álcool líquido, 5.642 litros de álcool gel.

De acordo com a PM-AM, é realizado, diariamente, a desinfecção de unidades operacionais e administrativas, inclusive núcleo prisional, unidades do interior e viaturas. O órgão contabiliza mais de mil exames realizados em policiais e familiares funcionários civis. “A Diretoria de Saúde também está agilizando o tratamento de policiais e familiares que apresentam indicação para a medicação que trata o covid-19. Após a consulta e a prescrição do medicamento o paciente imediatamente recebe a medicação na farmácia do Comando Geral”.

A corporação ressaltou ainda que diariamente são repassadas recomendações para que o policial tenha todos os cuidados necessários e use Equipamento de Proteção Individual (EPI) a fim de evitar possível contaminação. “Dessa forma, a intenção é garantir a saúde da tropa. Também são divulgadas orientações por meio de uma cartilha virtual, que está disponível nos aplicativos Sasi, Comando Web e no site da Polícia Militar”, destacou ainda.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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