Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
CIÊNCIA

Pesquisadores encontram três linhagens do coronavírus em circulação no AM

Cientistas da Fiocruz Amazônia destacam que uma nova linhagem não significa que houve aumento da letalidade do vírus ou que ele ficou mais forte



WhatsApp_Image_2020-07-07_at_20.51.26_99E23B20-5760-44F9-A8F3-6564D3202E1E.jpeg Foto: Jair Araújo
08/07/2020 às 06:37

Há três linhagens do novo coronavírus circulando no Amazonas. A revelação foi feita em estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), que investigou amostras do vírus coletadas em nove municípios do Amazonas: Manaus, Manacapuru, Autazes, Careiro e Manaquiri (Região Metropolitana), Santa Isabel do Rio Negro (Rio Negro), Tabatinga e Santo Antônio do Içá (Alto Solimões) e Manicoré (Rio Madeira). No entanto, os pesquisadores asseguraram que uma nova linhagem não significa aumento da letalidade do vírus.

O estudo concluiu que houve pelo menos três introduções do SARS-CoV-2 no estado (em linguagem técnica identificadas como A2, B1.1 e B1) – curiosamente, todas são frequentemente encontradas em amostras da Austrália, Espanha, Reino Unido e dos Estados Unidos.



Na capital amazonense foram identificadas a circulação das três linhagens identificadas. Em Manacapuru, Manaquiri e Manicoré, a equipe do pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, encontrou duas. Nos demais municípios foi encontrado apenas uma linhagem.

No entanto, os pesquisadores destacaram que uma nova linhagem não significa que houve aumento da letalidade do coronavírus ou que ele “ficou mais forte” – o que se sabe, até agora, é que as mutações sofridas pelo vírus fizeram com que ele se espalhasse mais rapidamente entre os seres humanos.

“Isso pode significar que [essas linhagens] foram trazidos para Manaus por turistas ou por brasileiros que estiveram nos países onde elas foram identificadas. Na próxima etapa do trabalho, nós esperamos identificar a origem exata dessas linhagens ou até mesmo identificar se há outra circulando no Amazonas”, adiantou Naveca.

O pesquisador salientou, também, que essas informações são importantes para embasar ações de vigilância sanitária de rastreio e combate. “O vírus se espalhou em municípios distantes de Manaus, como Santo Antônio do Içá, sendo que mais de uma linhagem do vírus chegou em Manicoré e Manaquiri. É importante saber como ele entrou nessas cidades e como tem se propagado dentro do nosso estado”, disse.

37 genomas sequenciados

O estudo de epidemiologia molecular do SARS-CoV-2 no Amazonas sequenciou, até agora, 37 genomas do novo coronavírus. Felipe Naveca ressaltou a importância desses dados diante da escassez de informações sobre os vírus que causam síndromes respiratórias na população amazonense.

“O sequenciamento dos genomas de amostras do SARS-CoV-2 contribuem para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra o vírus. Os genomas identificados no Amazonas agora podem ser comparados a outros que circulam no Brasil e no mundo”, explicou.

Em março deste ano, o pesquisador havia concluído o primeiro genoma SARS-CoV-2 do Norte do país. Na ocasião, o primeiro sequenciamento do coronavírus revelou que havia 11 mutações em relação ao que foi sequenciado em São Paulo, em meados de fevereiro. A pesquisa comprovou a circulação de linhagens diferentes do vírus em outras regiões do país.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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