Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
PANDEMIA

Movimentação na feira da Manaus Moderna continua intensa durante a semana

Diversas aglomerações de pessoas sem máscaras foram observadas no local. Indiferença da população ao distanciamento social continua em meio ao aumento de mortes no estado



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28/04/2020 às 13:38

Apesar da orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de evitar contato próximo para deter o avanço do novo coronavírus (Covid-19), medida empregada por vários estados brasileiros, a reportagem de A CRÍTICA presenciou várias aglomerações na feira da Manaus Moderna na manhã desta terça-feira (28).

Permissionários e clientes transitavam sem máscaras e mantinham distância inferior aos 2 metros recomendados. Desde a publicação do decreto que suspendeu o funcionamento de estabelecimentos e atividades não essenciais no Amazonas, o expediente na Manaus Moderna encerra às 13h.



A indiferença de parte da população ao distanciamento social continua em meio ao crescente número de mortes por SARS-CoV-19 e à crise no sistema de saúde no estado.

“A feira é o único setor de abastecimento de Manaus. Você vê essas aglomerações e pergunta quem é brasileiro.   Entre oito pessoas, sete são venezuelanos. Eles trabalham nos portões, recebem auxílio do governo e ficam bebendo toda hora. Aí o problema fica para os brasileiros”, afirmou o vendedor de melancias Júlio César Soares, 40.

A autônoma Andreza de Souza, 29, ficou assustada com a intensa movimentação ao chegar à feira acompanhada do marido, o vigilante Elivelton Barbosa, 26. “Viemos comprar peixe e verduras. Estamos apreensivos com a situação. Até comentei que o povo não está com medo, pensamos que não haveria tanta gente”, disse.

O administrador da Manaus Moderna, Thales Pinheiro, afirma que está realizando um intenso trabalho de orientação sobre medidas protetivas junto aos feirantes, como o uso de máscaras. Quem desobedece às regras recebe sanções disciplinares, com o lacre do box ou banca por 24 horas. Em caso de reincidência, o período é estendido por três dias.

“Essa movimentação às terças feiras é bem maior porque os produtores trazerem sua produção para escoar, os donos de mercadinhos e varejões vêm para abastecer seus estabelecimentos, o que causa uma aglomeração maior”, explica. “Hoje funcionamos como uma Ceasa, abastecendo Manaus toda e até algumas cidades no entorno”.

Pinheiro ressalta que muitos clientes circulam no local sem algum tipo de proteção, potencializando o risco de contágio pelo Sars-COV-2. “A administração tem até tentado orientar os clientes nesse sentido, porém infelizmente há uma certa resistência”, acrescenta. Vários aplicadores com álcool em gel foram disponibilizados nas áreas de maior circulação da Manaus Moderna.

Nas feiras da Panair, Zona Sul, e do Coroado, Zona Leste, a situação é bem diferente. Há pouca circulação de pessoas nestes locais e a maioria dos boxes permanece fechada. O permissionário Lauro Martins, 67, vende frutas na feira do Coroado e decidiu romper o isolamento social há uma semana para garantir a subsistência.

Martins confessa que utiliza apenas um pano molhado, sem álcool ou sabão, para higienizar os alimentos. “A freguesia não se preocupa se o produto está limpo”, conta.

De acordo com o vendedor de estivas Francisco Farias, 63, a feira chegou a receber um grande número de clientes por dia, mas já não havia indícios de aglomeração antes da chegada do coronavírus. “O movimento era fraco. Com a proibição, caiu de vez”, lamenta.

“Estamos trabalhando para levantá-la de novo. Existem muitos permissionários que são donos de bancas e não estão vindo para cá. É a minha única fonte de renda”. Farias afirma que faz limpezas frequentes em geladeiras, balcões e freezers com detergente. “É essencial. Se não tiver, está errado”, sentencia.

Apesar da pouca variedade de produtos e preços menos acessíveis, o autônomo Baltazar Júnior considera a feira da Panair um lugar mais seguro para fazer as compras do dia a dia. “Acabamos de sair da Manaus Moderna. Muitas pessoas se esbarrando ali, não respeitam o distanciamento. Até o trânsito estava normal”, critica.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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