Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
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Manaus pode enfrentar novo pico de covid-19 em junho, alerta estudo da Ufam

Modelo matemático apresenta cenário duas a três vezes pior aos números de abril, caso população afrouxe medidas de isolamento durante a pandemia



WhatsApp_Image_2020-05-12_at_11.34.19_BB92D069-CFDE-42B6-A3E7-54AAD546955B.jpeg Foto: Euzivaldo Queiroz
18/05/2020 às 13:38

Manaus poderá enfrentar um pico duas ou três vezes pior que de abril no número de casos de Covid-19, caso as medidas de isolamento sofram afrouxamento neste momento. É o que conclui o estudo de dez pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), divulgado nesta segunda-feira (18) pelo matemático Alexander Steinmetz. A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), sendo a primeira na região Norte a avaliar o cenário da curva epidemiológica a nível local. 

"De fato, a gente percebe uma pequena diminuição incipiente de infecções. Essa é uma tendência que poderia se reverter caso tenha o relaxamento do isolamento. Nesse momento, temos que ter cuidados para que isso não se reverta", explicou Steinmetz durante transmissão ao vivo pela internet. 



Mestre em matemática pela Universidade de Oxford, e doutor pela Universidade de Paris, Sud-11, o matemático atua como professor efetivo da Ufam desde 2014 e conduz pesquisas de ponta sobre o novo coronavírus.

"Se a gente for relaxar, afrouxar, poderemos reverter a tendência de queda de casos e ter um novo pico já em junho, mesmo com o distanciamento", expõe. "Por isso que eu falo que essa tendência neste momento pode ser perdida. Se afrouxarmos tudo, se as pessoas voltam ao trabalho, a gente pode ter um pico pior duas ou três vezes ao pico de abril", alerta.

Até o dia primeiro de abril, o Amazonas registrou 5.723 casos confirmados do novo coronavírus no estado, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Também foram confirmados 476 o total de mortes, Alto índice de mortes por causa desconhecida ou doenças respiratórias também foi registrado na capital, que passou a ocupar as manchetes de jornais de alcance mundial.

Isolamento em 40%

Um dos resultados da pesquisa foi a apresentação da média de isolamento que a população aderiu na capital. De acordo com a pesquisa, com base em dados de georreferenciamento de operadoras de celular, disponibilizadas pelo Google, 40% dos manauaras tem respeitado as regras de isolamento e permanecido longe de aglomerações. "É pouco, mas teve algum efeito. Não é o ideal', diz o matemático.

A pesquisa aponta para os efeitos positivos que as medidas de isolamento, como maior uso de máscaras, além da ampliação da oferta de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na capital. Desde o início da pandemia, o Governo do Amazonas ampliou de 639 para 1.138 leitos até o último dia 15 de maio, uma alta de 65,7%, o que reflete na saúde pública em Manaus.

Segundo a pesquisa, caso a média de isolamento social aumentasse para 60%, em junho teríamos ainda mais de 40 mil infectados ativos. No entanto, caso todos deixassem suas casas e voltassem a normalidade, mesmo com uso de máscaras, com apenas 20% de isolamento, o número de infectados ativos passaria os 100 mil. Tal alta pode fazer com que os números de óbitos sejam maiores do que os vistos em abril.

"A gente teve um abril muito duro, mas poderia ter sido muito pior. O uso das máscaras foi eficaz e a melhora na capacidade de atendimento nos hospitais também contribuiu para o efeito", aponta Alexander Steinmetz. Mantendo ao menos esses 40% de isolamento, é possível ver uma contínua leve queda nos infectados. Enquanto esse número de infectados ativos não diminuir, a situação é delicada," explica.

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