Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
ANÁLISE

Isolamento social cai e ajuda a explicar situação da Covid em Manaus

Taxa de isolamento que chegou a 60% no auge da pandemia hoje está em 37%, de acordo com dados levantados pelo Atlas ODS Amazonas



WhatsApp_Image_2020-09-23_at_17.06.03_87086E9F-C05F-496F-A80B-664BB68825E4.jpeg (Foto: Alex Gomes / TV A Crítica)
23/09/2020 às 17:33

A curva de internações e mortes por Covid-19 em Manaus cresceu na medida que o índice de isolamento social  na cidade atingiu os níveis mais baixos desde o início da pandemia. A conclusão é dos pesquisadores do Atlas ODS Amazonas, que vem estudando o comportamento da pandemia de coronavírus no Estado desde o início. 

Em uma live realizada no final da manhã desta quarta-feira, os pesquisadores Henrique Pereira e Danilo Egle apresentaram uma análise baseada nos números oficiais publicados nos boletins da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). De acordo com eles, não há uma tendência de aumento ou redução no número de casos, com uma média de registros mantida. Porém, há um claro crescimento de internações e óbitos.



Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores levantaram apenas os números de casos confirmados de Covid-19, e não os suspeitos. "Os números podem ser ainda mais preocupantes, mas para evitarmos leituras dúbias, estamos trabalhando apenas com os casos confirmados", explicou o professor-doutor Henrique Pereira, coordenador dos trabalhos do Atlas ODS Amazonas.

Um dos fatores que explica o fato da curva de casos não cair e de aumentar as internações e óbitos é o comportamento social.  No auge da pandemia, em abril, Manaus chegou a registrar 60% de isolamento social, segundo os dados do Atlas ODS em parceria com a InLoco.  Bem distante da realidade atual. "Mesmo depois do início das flexibilizações, a gente mantinha um patamar acima dos 40% de isolamento. Agora já começamos a chegar em uma média móvel de 37%, o que significa que temos muito menos gente em casa e que as pessoas estão saindo mais", explicou o professor-doutor Danilo Egle, coordenador técnico do Atlas.

Manaus tem, conforme o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, 2.462 óbitos e 47.977 casos confirmados. 

Festas

Desde o início da pandemia, o índice de menor isolamento social em Manaus foi o dia 8 de setembro - uma terça-feira pós feriado -, quando foi registrado apenas 33% de isolamento na cidade. De acordo com o professor Henrique Pereira, o dia com maior isolamento social é domingo. "O que está baixando essa média são as pessoas saindo durante a semana. O lazer também, mas principalmente a busca por serviços durante os dias de semana", explicou  o professor Henrique Pereira, que fez uma ressalva sobre um dia em que boa parte da população  frequentas festas, bares e casas noturnas. "As sextas-feiras apresentam-se como dias de baixo isolamento na cidade".

Nas últimas três sextas-feiras - 18, 11 e 2 de setembro - o índice de isolamento em Manaus ficou em 36%, um ponto percentual abaixo da média móvel dos últimos dias. Se a circulação de um modo geral aumentou independente das festas, o professor Henrique Pereira faz um alerta: as pessoas estão relaxando com seus próprios comportamentos voluntários. "Quando, em convívio, se essas pessoas deixarem de usar as medidas de proteção, como manter a distância e o uso da máscara, a situação tende a se agravar. Há vários casos registrados em grupos e festas sociais", acrescentou. 

Segunda onda?

Diante dos números e da constatação do crescimento de internações e óbitos nos últimos dias, os pesquisadores do Atlas ODS Amazonas evitam falar em 'segunda onda'. De acordo com eles, desde o início das flexibilizações de comércio e serviços, houve acelerações de casos e óbitos.  "Ainda não passamos por um pico nessa onda, pode ser que isso já esteja acontecendo", destacou Henrique Pereira.

Para o professor, mais medidas são necessárias. Com uma aceleração da pandemia provocada pela queda do isolamento, segundo o professor, "seriam necessárias medidas que tornem obrigatórias medidas mais preventivas de isolamento e insistir nas campanhas de proteção". Ele considerou ainda que o município, por ser o responsável pela atenção básica, deveria fazer a 'busca ativa' de casos, para identificar possíveis pacientes que não estejam aparecendo nas estatísticas gerais. 

 

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Jornalista de A CRÍTICA
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