Sábado, 04 de Julho de 2020
VULNERABILIDADE

Imigrantes venezuelanos sentem efeitos de pandemia longe da terra natal

Famílias temem efeitos econômicos do isolamento social imposto pelo governo. Abrigos adotam medidas preventivas



A__es_do_ACNUR_em_Manaus_-_Paulo_Lugoboni__2__50911DC0-0D72-468A-A249-C2883CD78C31.jpeg Foto: Paulo Lugoboni/Acnur
28/03/2020 às 16:24

Feijão, arroz e milho. Assim tem sido as refeições da diarista Marbelis Cortez, seu esposo, Carlos Cortez e do seu filho de seis anos em um modesto apartamento de dois cômodos no Coroado, Zona Leste de Manaus, onde vivem há um ano e meio.

Em quarentena, por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), eles têm visto a renda minguar a cada dia que passa, pois desde a semana passada o marido não sai às ruas para vender água e bombons nos sinais de trânsito.



“O que mais nos preocupa é o aluguel de R$ 450 atrasar e sermos despejados nesse período de recolhimento”, lamenta Marbelis, desempregada há seis meses.

“Temos feito a nossa parte de nos recolhermos em casa e intensificar os hábitos de higiene, principalmente para proteger o nosso filho desse vírus. Vivo trancada em casa e mal converso com os meus vizinhos”, contou ela.

A família de Mardelis, assim como as cerca de 31 mil imigrantes venezuelanos que vivem em Manaus (contando somente os que vivem com documentos regularizados), tem sentido na pele os percalços de viver uma pandemia longe da terra natal em um país em que, com muito sacrifício, tem sobrevivido em subempregos (incluindo aqueles que têm formação acadêmica).

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirmou que tem acompanhado o desenvolvimento da pandemia do novo coronavírus no Brasil, bem como as orientações emitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde e pelas autoridades locais. 

Sobre as eventuais dificuldades enfrentadas por imigrantes nesse período de quarentena, a chefe de escritório do Acnur em Manaus, Catalina Sampaio, lembra que as famílias refugiadas e migrantes em situação de extrema vulnerabilidade têm direito a acessar as políticas públicas de assistência social, como o Benefício de Prestação Continuada ou o Bolsa Família – desde que estejam dentro dos critérios estabelecidos pelas autoridades nacionais.

“O acesso a esses benefícios pode ser feito via secretarias de assistência social e redes de apoio definidos pelos atores governamentais”, completou ela.

Orientações nos abrigos

Sobre as orientações de prevenção contra o coronavírus, Sampaio frisou que o Acnur está apoiando as instituições estaduais e municipais de saúde.

“Isso inclui a distribuição de kits de higiene e limpeza nos abrigos, além da distribuição de materiais informativos da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) em espanhol, francês e Warao em espaços autônomos de acolhimento. Esses materiais também estão sendo disseminados virtualmente via grupo de promotores comunitários de refugiados e migrantes da cidade, visando ampliar o alcance para a comunidade refugiada fora dos abrigos”, explicou, acrescentando que, em Manaus, há cerca de 10 abrigos geridos pelos governos estadual, municipal e pela sociedade civil.

Em um desses lugares, o Abrigo do Coroado, na Zona Leste da capital amazonense, vivem cerca de 185 imigrantes. No local têm sido adotados medidas de controle como a realização de palestras de sensibilização diariamente para os abrigados, reforçando a necessidade de promover a higienização pessoal e do ambiente.

De acordo com a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), por meio de assessoria, as pessoas que adentram no abrigo estão sendo orientados a higienizar as mãos com álcool em gel. As crianças com resfriados e gripes estão recebendo máscaras. O ambiente também está tendo sua limpeza diária reforçada.

A pasta informou, ainda, que aguarda equipamentos para aferir a temperatura corporal de funcionários da Seas e dos abrigados.

“Todos os abrigos têm recebido orientações técnicas sobre higiene e boas práticas de prevenção ao COVID-19, bem como apoio para o estabelecimento de fluxos e processos para resposta rápida em suspeita de casos. O Acnur também tem ajudado essas instituições a desenhar planos de contingência e resposta”, reforçou a chefe do Acnur Manaus, Catalina Sampaio.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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