Terça-feira, 14 de Julho de 2020
PREVISÃO ALARMANTE

FVS espera explosão no número de casos da covid-19 nos próximos dias no AM

Estudos apontam para inúmeras infecções pelo novo coronavírus já nos próximos dias, com o pico da doença até o início de maio. Sistema de saúde pode entrar em colapso em breve, caso transmissões avancem. FVS ressalta importância do isolamento domiciliar



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03/04/2020 às 14:41

O número de casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) no Amazonas terá um aumento significativo já nos próximos dias. É o que indicam estudos feitos pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), que prevê o mês de abril e o início do mês de maio como sendo o momento do pico da curva de infecções da doença no estado.

"Para se ter uma ideia, ontem o Laboratório Central de Saúde Pública do AM (Lacen) tinha cento e poucos exames sendo feitos para identificar novos casos da doença. Hoje, já são 600 exames. Vale relembrar que todos os exames feitos pelo Lacen são de casos realmente suspeitos da doença, ou seja, já temos o vírus sendo levado pelas pessoas e transmitindo de forma indiscriminada", destacou a diretora-presidente da FVS, Rosemary Pinto.



O Amazonas possui hoje 260 casos confirmados da doença, sendo que sete pacientes já evoluíram a óbito, elevando a taxa de mortalidade do estado para 2,8% dos infectados. Segundo dados da FVS, 7,8% de todos os infectados no Amazonas necessitaram de atendimento em UTI. O valor é 2,8% maior do que estudos mundiais indicam que seria o comum, onde 5% dos infectados evoluiriam para casos graves e necessitariam de tratamento intensivo.

A grande quantidade de novos casos pode colapsar o sistema de saúde do Amazonas, segundo informou o titular da Secretaria de Saúde, Rodrigo Tobias. Conforme ele, hoje, o estado possui 69 respiradores no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz exclusivos para casos suspeitos e confirmados da doença. O número poderá não ser suficiente em breve.

"Estamos em uma pandemia. O nosso sistema de saúde é limitado e não temos leitos de UTI suficientes para enfrentarmos uma situação inesperada como essa. Não se trata de uma epidemia local de dengue ou zika, é uma doença que está atingindo praticamente todos os países do mundo", explicou o secretário, ao pontuar que o governo do estado espera receber novos equipamentos nos próximos dias.

"O estado do Amazonas tem tomado todas as providências para adquirir novos leitos de UTI com respiradores, que talvez seja um dos itens mais cobiçados do mundo. Enfrentaremos agora a pior parte da transmissão e esperamos que, por meados de junho a julho, a nossa vida possa voltar a normalidade", comentou.

Leitos de UTI do Ministério da Saúde não virão

Durante a coletiva, Rodrigo Tobias informou que cerca de 10 leitos de UTI que seriam enviados pelo Ministério da Saúde para reforçar o sistema de saúde do Amazoans não virão mais. 

"Infelizmente os números mudam a cada minuto. Fui informado que os leitos que o MS nos enviaria amanhã não vêm mais. Há uma outra possibilidade na qual o Ministério enviará somente respiradores para nos ajudar, mas isso precisa ser conversado com o ministro da Saúde, para que tenhamos mais 15 respiradores. Temos também a expectativa de que, até 15 de abril, tenhamos outros 50 respiradores que o estado efetuou a compra", disse o secretário, ao destacar que as datas podem sofrer alterações, já que os produtos vêm da China, que está retendo sua produção de acordo com interesses do país.

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Isolamento reforçado

Rosemary e Rodrigo Tobias aproveitaram para reiterar a necessidade das pessoas permanecerem isolados em suas residências e mantendo distância de pessoas com problemas respiratórios e que fazem parte do grupo de risco.

"O vírus não anda sozinho, ele precisa de pessoas circulando para que ele possa ser disseminado. O que temos vistos é que muitas pessoas não estão atendendo as recomendações. Vemos pessoas transitando pela cidade e se expondo a contrair o vírus. A única forma de quebrarmos a cadeia de circulação do vírus é se isolando, evitando o contato social e, se isso não for feito, as consequencias serão enormes", destacou a diretora.

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