Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
RISCO DE CONTÁGIO

Família de detento indígena com Covid-19 teme contaminação após contato com roupas

Preocupação veio após familiares do grupo de risco terem tido contato com uma muda de roupa suja do detento Dhemeson Batista, 21, da etnia Apurinã: “Não nos avisaram nada na delegacia. Estamos revoltados”. Eles ficaram sabendo da doença por um bilhete do detento



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10/07/2020 às 14:00

No último domingo (15), a família do detento Dhemeson Benízio Batista, 21, da etnia Apurinã, deparou com um bilhete na muda de roupa suja retirada da Delegacia Interativa de Polícia de Lábrea, a 702 quilômetros em linha reta de Manaus.

A mensagem, redigida no verso de uma receita médica, informava que Dhemeson havia sido contaminado pelo novo coronavírus, mas passava bem. “Meu irmão é uma pessoa muito tranquila, quando ele demonstra algo é porque não está nada bem”, contesta a irmã do detento, a professora de educação indígena Desdiane Benízio, 32.



Naquele mesmo dia, outra irmã do detento, Quiciane Batista, 19, procurou o médico que o atendeu e solicitou um laudo para fundamentar o requerimento de prisão domiciliar. O pedido foi negado. Na segunda-feira, ela teve acesso à ficha de entrada do rapaz no Hospital Regional de Lábrea, datada de 20 de junho, quando Dhemison já apresentava sintomas de Covid-19.

Ela obteve também o teste que acusava resultado positivo para Sars-CoV-2, realizado no dia 28 de junho. “O pessoal da delegacia não informou que meu irmão estava doente durante todo esse tempo”, indigna-se Desdiane. “Sentimos tristeza e revolta. Meus pais são idosos e fumantes, minha irmã que está cuidando do caso é asmática e todos pegaram nas roupas”.

“Há duas semanas um carcereiro me pediu dinheiro para comprar remédio para o Dhemison. O carcereiro avisou que ele estava bem, mas um detento tinha sintomas de gripe e seria bom se prevenir”, conta Quiciane Benízio. O advogado pediu prisão domiciliar à Vara de Justiça de Lábrea no dia seguinte ao recebimento da carta, mas não recebeu resposta até agora.

A assessoria da Policia Civil informou que, de acordo com o investigador Enoch Bicharra Silva, da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Lábrea, os familiares são avisados sobre a situação dos detentos na própria unidade policial.

“Segundo o investigador, os presos que testaram positivo para Covid-19 foram separados de outros detentos e estão sendo acompanhados por visitas médicas periodicamente. Até o momento, o quadro clínico deles é estável. Enoch informa, ainda, que indivíduos presos recentemente ficam 15 dias em uma cela fora da carceragem principal”, finaliza a nota.

Dhemeson foi preso em 28 de agosto de 2018, acusado de participar de um assalto ao lado de um primo conhecido como Eric. A família alega que o rapaz é inocente.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) não informou quantos detentos do Amazonas receberam diagnóstico positivo de Covid-19 ou faleceram em decorrência da pandemia. Conforme dados disponíveis no site da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o município de Lábrea contabiliza 675 casos confirmados e dez óbitos.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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